Ricardo III

TeatroQuinta-feira Outubro 15
ricardo


Onde?
Teatro Nacional D. Maria II
Praça D. Pedro IV (Rossio)
Ver Mapa
?When

Até 1 Nov. | 4ª: 19h; 5ª - Sáb: 21h; Dom: 16h

?How Much

5€ - 17€



Onde?
Teatro Nacional D. Maria II
Praça D. Pedro IV (Rossio)
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Quando?

Até 1 Nov. | 4ª: 19h; 5ª - Sáb: 21h; Dom: 16h

How Much?

5€ - 17€

Sabem aquelas pessoas que fazem de tudo para terem o que querem? Aquele colega que pisa todos, a amiga que nada de amiga tem, a vilã digna da alcunha Cruella, aquelas personagens de novela feitas para desprezar. Se está no caminho, vai abaixo, não importa quem nem como. Pois, isso não começou com as novelas. Já o havia em Shakespeare. Já o havia em estórias desde que há estórias e nascem muitas vezes da História, onde não faltam pessoas (não meras personagens) de desprezar, nomeadamente as que chegaram aos livros e aos nossos ouvidos e memória precisamente assim: subindo para as costas de outros.

É o caso de Ricardo III. Uma de muitas figuras históricas que causam simultaneamente desprezo e fascínio, algo realçado nesta peça. Mas seremos todos assim? Até onde estarias disposto a ir para alcançar os teus objectivos? Para concretizar os teus desejos? A sociedade não elogia a motivação, assertividade, liderança, proactividade? Onde fica o limite? E quais as consequências? Se Shakespeare tem “jeito” para a tragédia, gosto pela complexidade do ser e adora tramas e esquemas familiares, é perfeito para relatar a mais maquiavélica subida ao trono de sempre. Se gostas de tragédias históricas, esta é para ti. Mas porquê um protagonista tão desprezível? Não é suposto gostarmos dos protagonistas? Sim. Aí é que está o perigo. Não é à toa que Ricardo chega onde chega. Todos caem na teia – até ser tarde demais.

Para chegar à coroa, Ricardo atropela tudo e todos num caminho repleto de esquemas e falsidades, conduzindo o espectador pela curiosidade mórbida de ver até onde este consegue ir sem consequências. E como viverá ele próprio com as suas escolhas? Ele é o centro de si próprio: “Ricardo ama Ricardo, ou seja, eu sou eu”. E assim segue, de golpe em golpe. Seremos todos Ricardo?