Volta à Terra

CinemaQuinta-feira Julho 9
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Depois do circuito em festivais, estreia hoje, no circuito comercial de cinema, o documentário português “Volta à terra”. Este filme conta-nos a história de Uz, um sítio perdido nas paisagens de entre Minho e Trás-os-Montes. É a terra dos avós maternos de João Pedro Plácido que, para prestar homenagem a esta, que também é a sua terra, realizou este documentário. Mas prefere dizer que a sua profissão é director de fotografia, os seus filmes são os filmes de outros realizadores. Este é apenas um tributo às suas memórias de infância, é a partilha de uma página do seu diário, é um poema escrito com luz (que é disso que é feita a imagem), é uma declaração de amor a uma terra e às suas gentes.

Aos meus olhos não vejo só Uz retratada, vejo parte de Portugal, vejo lugares do interior deste nosso país com 800 anos de história, tão distinto de Norte a Sul, mas tão cheio de beleza e carregado de humanidade nos corações das suas populações. Em “Volta à terra” assistimos aos dias singelos dos seus habitantes: o pastar do gado, a lavoura da terra, as refeições em família, a preparação das festas de Verão, a interajuda e o espírito de comunidade, centrados nas dúvidas e sonhos do jovem Daniel e nas certezas e rigores do ancião Sr. António. E vemos o passar das estações do ano, retratadas em planos lindíssimos. Assistimos ao rigor do Inverno, com dias cinzentos carregados de névoa e geada e à doçura do Verão, com o vento a soprar na seara e o céu saturado de azul.

Daniel e o Sr. António são os habitantes/personagens principais. Daniel é o jovem adulto que por falta de opção, mas por um maior amor à terra, deixou-se ficar a trabalhar na agricultura e na pecuária, sonhando com uma noiva que um dia chegará, talvez em transporte convencional, talvez pela internet. Sr. António é o septuagenário convicto, rijo, característica adquirida pela rudeza da vida, certamente, que de nada nem ninguém precisa para levar avante as tarefas do seu dia a dia.

Assisti à ante-estreia de “Volta à terra” em Dezembro último, no festival Porto/Post/Doc, nesse dia Uz ficou sem os seus 50 e poucos habitantes. Meteram-se todos num autocarro (menos o Sr. António que não pôde abandonar os seus afazeres), foram ver-se na tela e enquanto se viam, riam e falavam com a sua imagem projetada no ecrã. No final da exibição, Daniel foi rodeado pelo público, todos queriam cumprimentar a estrela do filme, mas esta estrela não era reconhecida pelos seus feitos audazes no ecrã, mas sim pela sua genuinidade, simplicidade e humor, aquilo que parece que, no fundo, ainda todos carregamos no coração.

“Volta à terra” venceu o prémio de melhor filme português no DocLisboa 2014 e foi acarinhado em Cannes, na secção paralela do festival, ACID. Vale muito a pena ver!