100 Lisboetas que tens de conhecer!

#20 – João Manso

João Manso é ribatejano de nascença mas adoptou Lisboa como a sua casa mãe, quando veio estudar Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia na Universidade Lusófona. Desde 2007 trabalha como realizador, assistente de realização e editor de vídeo freelancer. Realizou e editou curtas-metragens, documentários e videoclips até que em 2013 realizou a sua primeira longa-metragem, «Bibliografia» em conjunto com o seu irmão Miguel Manso.
Por tudo isto e pelo que ainda aí vem e ele é capaz de fazer vale muito a pena conhecer este 20.º Lisboeta!

Diz-me quem é o João Manso visto de fora?
Não sei se sei responder a esta pergunta. Na verdade, nem me interessa muito saber, tento não me construir pensando na maneira como sou visto pelos outros. Interessa-me sim, observar o ‘outro’, estudar o seu comportamento, ver como interage em sociedade. Sou um curioso por pessoas. Se bem que há dias em que não suporto ver pessoas à frente.

És alfacinha de berço, com devoção ou por convicção?
Nenhuma das 3 opções. Vivi em Almeirim até sair de casa dos meus pais para estudar na faculdade. Estudei um ano em Leiria, mas detestei aquele ambiente académico que me recebeu. Essa treta da tradição académica é mesmo uma coisa que devia ser abolida. Só cheguei a Lisboa em 2000, vim estudar cinema e por cá fiquei. Adoro a cidade, é aqui que tenho os meus amigos e neste momento não me imagino a viver noutro sítio. Mas também sou crítico dela. Gostava que Lisboa fosse ainda melhor do que é.

Porque achas que foste escolhido para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Foi engano, só pode! Mais facilmente compreendia se fosse escolhido para a lista dos 100 Lisboetas que todos devem evitar. No entanto, desconfio que poderá ter sido por trabalhar em cinema. Em 2013 realizei um filme, em conjunto com o meu irmão Miguel Manso, chamado ‘Bibliografia‘. Foi um naufrágio cinematográfico em que descemos de jangada os rios Zêzere e Tejo. Tenho alguns trabalhos on-line (curtas, videoclips, vídeos de viagem, institucionais, etc.) , espalhados e desorganizados, se tiverem curiosidade em ver alguns deles a página do Vimeo pode ser um bom ponto de partida. Trabalho também para outros, filmo, edito, faço assistência de realização e produção. Os últimos filmes onde colaborei foram os do Pedro Pinho e Miguel Gomes. Gostava de ter mais tempo para fazer os meus filmes, tenho muitas ideias na gaveta à espera de tempo e dinheiro para avançarem.

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
Já tive muitas de antologia. Uma delas foi jogar à bola bêbado às 4 horas da manhã. O resultado foi um centro genial que ninguém aproveitou e um braço partido. Também sou especialista a tomar más opções no que ao amor e romance diz respeito, mas prefiro não falar disso aqui.

Que projectos estás a cozinhar neste momento no teu forno encefálico?
Este ano quero fazer, pelo menos, uma longa e uma curta. Antes disso quero encerrar o capítulo ‘Bibliografia’, falta finalizar o DVD que contém os extras, a banda-sonora e os textos que trabalhámos. Vou também voltar a fazer teatro, apesar de não ser actor – nem querer ser – acedi ao desafio da encenadora Susana Vidal e este ano vamos estar em criação e com espectáculos.

Há algum segredo que ainda falte revelar sobre ti?
Para a maioria dos leitores desta entrevista, seguramente que sim.

Gostas de alfaces?
É suposto fazer um trocadilho com a palavra ‘alfacinha’ nesta resposta?

Para ti Lisboa é…
Uma aldeia comparada com algumas capitais europeias e mundiais mas é isso, também, que a torna singular. É possível criarmos relações de proximidade com as pessoas que a habitam. Nos bairros, nos cafés, nas tascas, as pessoas conhecem-se e cumprimentam-se. Depois é também um “décor” magnífico, para onde quer que apontemos a objectiva é provável encontrar motivos de interesse, sobretudo fora dos lugares turísticos.

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
É difícil responder a esta. Talvez Istambul. A luz consegue superar a de Lisboa. É uma cidade incrível. Outra hipótese é São Paulo, uma cidade que não dorme, gigante, suja, feia, caótica. Mas não é que isso tudo junto faz dela uma cidade única e de uma beleza imensurável?

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Tornar a cidade mais amiga das bicicletas. Sim, é possível. Algum trabalho, amiúde, tem sido feito nos últimos tempos, mas ainda há um longo caminho a pedalar.

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Gostava de ver resolvidos alguns dos seus problemas. Não vou enumerá-los todos para não ser chato, mas já repararam bem, por exemplo, na quantidade de edifícios devolutos que há na cidade? Alguns deles património arquitectónico riquíssimo que estão relegados ao abandono e esquecimento. Chega a ser constrangedor. Depois há muito a fazer ao nível da mobilidade. O estacionamento em Lisboa é um problema grave. Tanta coisa… Nem vou falar do que acontece quando chove um pouco mais do que é normal.

Lisboa tem prazo de validade?
Se sobrevivermos ao próximo terramoto, não.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
É bom estar de volta, mas quando será que consigo juntar dinheiro para viajar outra vez?

Desejo para 2015?
Desejo que se façam mais filmes portugueses e que eles tenham mais espectadores em sala. Gostava também que os responsáveis pelo ‘Teatro Rápido’ me pagassem a peça que apresentei lá em Fevereiro do ano passado.

Se Lisboa fosse um filme qual seria?
‘Recordações da Casa Amarela’ de João César Monteiro. Aquele travelling sobre Lisboa feito do rio é qualquer coisa.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
Assim de repente, o Rui Ruivo ou alguém dos colectivos Zona Franca e RDA. Pelo papel activo que têm junto da comunidade onde se inserem, nos Anjos.