100 Lisboetas que tens de conhecer!

#21 – Fátima Cotta

Fátima Cotta é conhecida no mundo da moda nacional. Por muitos considerada a Anna Wintour Portuguesa, é na verdade uma profissional de mão cheia com uma invejável carreira num mundo de jornalismo onde o bom gosto é a norma a seguir. Desde os seus inícios como cronista no Semanário até ser Directora na Revista Elle Portugal, ficou conhecida junto do grande público em 2010 quando foi jurada no programa ‘Projecto Moda’ da RTP, em que faz o papel equivalente ao de Nina Garcia, editora da Elle Norte Americana.

Quando o filme ‘O Diabo veste Prada’ estreou, os bloguistas rápido a comparam a Miranda Pristley, mas depois desta entrevista exclusiva para a Le Cool Lisboa, Fátima Cotta não é nada daquilo que aparenta ser ‘vista por fora’. Só no estilo. Esse, nunca falha.

É por isso o n.º 21 dos 100 Lisboetas que tens de conhecer!

Diz-me quem é a Fátima Cotta vista de fora?
Uma pessoa conhecida pelo seu mau feitio, pouco tolerante, muito exigente. Com defeitos, mas não sou má pessoa. Acho?

És alfacinha de berço, por devoção ou por convicção?
De berço!

Porque achas que foste escolhida para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Porque o Entrevistador me conhece bem e não tem a mesma opinião de quem só me conhece por fora…

Que projectos estás a cozinhar neste momento no teu forno encefálico?
A aproveitar a vida, um dia melhor do que o outro. Já me esqueci o que era moda, tudo o que fiz. Sou naturalmente curiosa, mas depois de 40 e tal anos de profissão, apetece-me desfrutar a vida.

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
Foi ter desistido da Faculdade de Direito no primeiro ano. Era muito difícil, dava muito trabalho. As turmas eram mistas e os meus pais não gostavam disso. Acabei por ir para o ISLA e segui as oportunidades que a vida foi me dando, acabando por seguir o curso de Secretariado e Tradução, que me fez chegar até ao jornalismo com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, na página ‘Meia Desfeita’ do Semanário, a seguir na Olá como Chefe de Redacção, na Máxima como Directora Adjunta, na Direcção da Cosmopolitan de seguida e depois na Elle, onde fiquei por 20 anos.

Há algum segredo que ainda falte revelar sobre ti?
Acho que não, penso que por vezes até falo de mais, revelo demasiado.

Gostas de alfaces?
Não gosto nada, nem posso comê-las. Sou alfacinha de berço, por devoção, e não por opção!

Para ti Lisboa é…
Luz. A luz desta cidade é algo que não existe em lado nenhum. Adoro a luz de Roma, mas a de Lisboa faz bem à alma, não existe em lado nenhum, para mim é única.

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
Paris, por motivos profissionais. Vivi lá alguns amores também, mas por motivos profissionais sobretudo. O francês foi a minha segunda língua, tenho muitas proximidades com a cultura, com a moda. Há um grande cruzamento entre a vida profissional e pessoal.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Tirar aqueles pinos todos nos passeios da cidade. Deve haver alguma empresa rica com tanto pino nesta cidade, que só estraga os passeios por forma a não deixar, nem estacionar, nem passar ninguém.

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Gosto de cinema, há um défice de bom cinema de culto em Portugal. Gostava de rever o Diogo Infante na Direcção do Teatro Nacional D. Maria II, faz muita falta. Queria que a Programação do CCB fosse toda revista e melhorada, faz falta também. Estou cansada das feiras na Avenida da Liberdade, não fazem falta nenhuma. E precisamos de mais apoio para o flagrante problema dos sem abrigo de Lisboa.

Lisboa tem prazo de validade?
Eu espero que não, pois tem tantas coisas para melhor. Se tiver prazo de validade estamos muito mal.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Na luz. É um sentimento misto. Se regresso de dia e vejo a luz de Lisboa confrontada com a feiura de certas zonas, deixa-me triste, há muita degradação na cidade. Mas chegando ao centro, onde estes ‘mixed feelings‘ se esbatem, a luz prevalece e Lisboa é Lisboa.

Se Lisboa fosse uma revista de Moda qual seria?
Se eu pudesse ser a Editora (um desejo) queria que fosse uma Vogue Inglesa ou uma Bazaar Americana. É um ‘wishful thinking‘!

O que achas que é necessário para Lisboa ser uma referência Mundial?
Que as pessoas fossem educadas nesse sentido. O nível cultural é baixo e a cidade está suja. Há que melhorar a educação e cultura de quem trata da cidade, para Lisboa ser mais Lisboa.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
Julião Sarmento, artista português, lisboeta como eu.