100 Lisboetas que tens de conhecer!

#26 – Filipe Folhadela

Começou por Direito mas deu para o torto. Perdeu o Norte e acabou no Sul. Comunica ao mundo o que acontece numa casa do mundo, já que é responsável pela Comunicação da Culturgest.
Para ele, o futebol é a coisa mais importante das coisas sem importância, no relvado ou no banco. Mergulhar é um escape, fotografar e escrever fazem parte. Nas horas vagas gosta de ler, ouvir, ver ou simplesmente estar. Se forem muitas, viajar. Ir indo, sem pressa de chegar.
E assim lentamente chegou ao nº 26 da nossa exemplar Lista!

Diz-me quem é o Filipe Folhadela visto de fora?
É um gajo normal, que continua a viver como um puto – apesar de alguns cabelos brancos o quererem convencer do contrário – com uma máxima de vida: “Ai que prazer não cumprir um dever, ter um livro para ler e não o fazer…”

És alfacinha de berço, com devoção ou por convicção?
Comecei por ser tripeiro, mas tornei-me devota e convictamente vegetariano aos 23.

Porque achas que foste escolhido para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Por falta de inspiração de quem me indicou?

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
Tantas… tendo em conta as consequências, talvez aquele dia, aos 13 anos, em Londres, em que decido que o lugar certo para aquele pólo que vi na C&A era a minha mochila. Deu direito a andar numa carrinha da polícia, apanhar umas putas pelo caminho, tirar fotos e impressões digitais para registo, estar uma hora numa sala de interrogatório, mais sete numa cela – com a melhor refeição que tive nessa estadia, verdade seja dita – e, para terminar, ser recambiado para Portugal uma semana e meia antes do previsto, onde tive uma recepção entusiástica dos meus pais.

Que projectos estás a cozinhar neste momento no teu forno encefálico?
Neste momento, por acaso, estou a fechar um projecto mal cozido que me fritou um pouco da massa cinzenta. Ao mesmo tempo, ando a preparar as minhas férias nos Açores, que já lá não vou há demasiado tempo. Quero tornar reais uns quantos projectos fotográficos que andam há anos a marinar na minha cabeça. Sei que um dia vou fazer a Viagem. Já plantei uma árvore, faltam o livro e o filho. Não morro sem aprender a tocar piano. E sonho conseguir ver a Terra do espaço.

Há algum segredo que ainda falte revelar sobre ti?
Imensos. Eu sou um livro aberto, mas é preciso tempo e paciência para o ler…

Gostas de alfaces?
Temperadas nas saladas, frescas nos smoothies, de todas as espécies na cidade.

Para ti Lisboa é…
Uma opção de vida.

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
Uiiiiiiiii. Se disser Porto, estou a ser injusto para Barcelona, onde passei um dos melhores períodos da minha vida. Se escolher Londres ou Nova Iorque, perco o direito a ser tripeiro.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Arranjar forma de verdadeiramente devolver o rio à cidade. Ou seja, apesar de Lisboa ter actualmente uma relação muito melhor com o rio, ainda há algo que falta – podermos tomar banho no Tejo. Os golfinhos já aparecem por lá, para quando os humanos?

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Armando-me em Miss Alface, menos pobreza, menos violência, menos degradação.

Lisboa tem prazo de validade?
Se já existe há milénios e ainda é menina e moça…

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Não penso, sinto…

Se Lisboa fosse uma obra de arte qual seria?
Império das Luzes do Magritte, porque é um quadro que imediatamente capta a atenção do nosso olhar pela sua luz. Como Lisboa.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
A Mami por ser a Mami.
O Pedro Costa porque, além de ser um gajo do caraças, criou um projecto tão incrível como a Clean Feed/Trem Azul.
O Francisco Frazão, que trabalha comigo, porque é uma pessoa realmente interessante e pela programação de teatro que faz na Culturgest, a que mais gosto no nosso país, sem qualquer espécie de facciosismo.
A Joana Astolfi pela generosidade pessoal e a criatividade profissional.
O Nuno Loureiro pelo sentido de humor e por ser capaz de explicar questões altamente complexas sobre erupções solares e fusão nuclear com panelas de pressão.