100 Lisboetas que tens de conhecer!

#32 – Susana Almeida a.k.a. Feliz é quem diz

Do alto dos seus 30 anos, são muitas as vezes que não sabe responder a idade que tem e acha que ainda está nos 24! Vive em Lisboa com o namorado António e a  coelhinha Amélie. É por isso fácil de adivinhar que o filme da sua vida é “O Fabuloso destino de Amélie Poulain” e que secretamente deseja ser uma Amélie e tentar mudar as vidas dos outros.
Tem uma paixão enorme pela praia da Arrifana e acha que podia ser feliz para sempre lá. No seu pé esquerdo vive uma andorinha e lembra-se sempre que a liberdade é o único caminho que quer percorrer. Diz que é tímida mas não consegue imaginar a vida sem pessoas, sem conhecer pessoas novas e sem entrar em novos desafios. Viciada em gomas e batatas fritas, mas uma miúda saudável e responsável no que toca à alimentação.
Diz-nos diariamente o que é ser feliz e por isso ninguém mais adequado para este nº 32!

Diz-me quem é a Susana Almeida vista de fora?
A Susana é uma designer de 30 anos que mora na maravilhosa cidade de Lisboa. Isso é pelo menos aquilo que diz no meu cartão do cidadão e provavelmente o menos interessante. O que o cartão do cidadão não diz é que sou uma sonhadora, gosto da simplicidade das coisas e acredito que vale a pena lutar pelo que nos faz sentido na vida! Procuro inspiração em tudo o que me rodeia e faz parte do meu dia-a-dia. Sou uma miúda feliz que acredita que podemos ser como o Peter Pan e nunca envelhecer – é tudo uma questão de atitude. Gosto de tatuagens, flores, vestir-me com padrões diferentes, abraçar quem mais amo, passear na praia em dias de Inverno cheios de sol, comer pastéis de nata com colheres de café e tantas coisas mais… Não sei viver sem a minha família e os meus amigos e encontrei o amor verdadeiro há 11 anos atrás, nunca mais nos largámos!
Gosto de achar que estou no bom caminho e que a vida é um conjunto de pequenos momentos que guardamos no coração, o que não interessa tem de ficar para trás.

És alfacinha de berço, com devoção ou por convicção?
Sou alfacinha completamente de berço e faço parte daquele imenso grupo de pessoas que nasceu na maternidade Alfredo da Costa nos anos 80!

Porque achas que foste escolhida para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Porque… porque… nem sei bem… Foi uma surpresa! É bom saber que o meu trabalho e o que mais me motiva na vida são razões suficientes para que outros me queiram conhecer.
A razão principal será o trabalho que tenho desenvolvido no projecto Feliz é quem diz e que, como o nome tão bem explica, é um projecto sobre felicidade. Tudo porque a minha vida há 2 anos atrás andava demasiado cinzenta e aborrecida e eu precisei de lhe dar cor e entusiasmo. Viver os pequenos momentos da vida com prazer sempre foi uma das minhas formas de estar na vida, porque acredito que a felicidade é muito mais do que os momentos importantes e especiais, a felicidade é tudo o que nos rodeia, até mesmo os momentos maus e a forma como decidimos lidar com eles. Acordar de manhã e espreguiçar-me como se não houvesse amanhã é começar o dia da melhor forma. Se aprendermos a parar e a olhar as coisas banais do dia a dia com outros olhos, tenho a certeza que vamos passar a tirar muito mais prazer nas coisas que fazemos repetidamente.
Foi assim que surgiu o Feliz é quem diz, com uma primeira frase: Feliz é quem fotografa e uma ilustração da máquina fotográfica do meu coração: uma Pentax K1000. A partir daí nem o céu é o limite e tenho vindo a ilustrar coisas simples (e outras mais complexas) que enchem o meu dia de alegria e de cor. As possibilidades são quase infinitas e cada um deve adaptar a si próprio. Eu cá gosto de andar descalça, de beber um chá quentinho, ouvir discos, fotografar, comer pastéis de nata com colher de café e tantas outras coisas. Acima de tudo o que este projecto me tem trazido é um olhar mais atento e um coração mais aberto à felicidade e muita vontade de voar, mesmo sem ter asas!

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
Não será a pior ideia que já tive, mas é das que nunca me vai sair da cabeça. Depois de anos a deixar crescer o cabelo sem grandes cuidados (porque queria mesmo deixá-lo crescer até à cintura), fui ao cabeleireiro e saí de lá com o cabelo pelos ombros (imaginem o estado em que estava!). Fiquei tão desgostosa que voltei lá pouco tempo depois e cortei-o curtinho… à rapaz! Depois disso acho que chorei muito ou se não chorei mesmo era tudo o que queria fazer. 10 anos depois o cabelo está outra vez tão comprido quanto estava nessa altura, mas já não volto a tomar a mesma decisão.

Que projectos estás a cozinhar neste momento no teu forno encefálico?
Há muitas ideias boas na minha cabeça e infelizmente uma falta de tempo enorme. O que mais gostava de conseguir pôr de pé ainda este ano seria arranjar um espaço onde trabalhar, um mini atelier, um espaço que pudesse dividir com alguém e que fosse uma espécie de 2ª casa para mim. Porque preciso de me reorganizar e reencontrar para continuar a fazer este projecto crescer.

Há algum segredo que ainda falte revelar sobre ti?
Só respiro por uma narina de cada vez!

Gostas de alfaces?
Adoro! Não passo sem uma boa salada.

Para ti Lisboa é…
A minha cidade e a minha casa. Nasci aqui e morei durante quase toda a minha vida nos subúrbios. Há 3 anos e meio voltei para o centro da cidade e sou mesmo feliz a morar aqui. Gosto de andar a pé e não precisar do carro para tudo e mais um par de botas. Gosto da confusão da cidade, mas que ao mesmo tempo é uma espécie de aldeia onde acontecem coisas inacreditáveis. Gosto da luz, dos recantos, dos bairros históricos e de saber que me vou sempre perder e encontrar alguma coisa que não conhecia.

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
O Porto! Tenho uma paixão pela cidade que é quase o oposto de Lisboa, mas que me fascina e me enche o coração.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Procurava encontrar uma nova vida para o Panorâmico do Monsanto. Dá-me uma pena ver aquele espaço completamente ao abandono…

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Quero continuar a ver Lisboa ganhar vida, sair para a rua e trazer as pessoas para a rua. Quero ver mais concertos, mais mercados, mais exposições e mais oportunidades para as pessoas. Espero que Lisboa mantenha a sua aura bairrista e típica e que não venda completamente a sua alma ao turismo, porque se perdermos o que mais nos caracteriza, então perdemos a nossa graça e a nossa alma.

Lisboa tem prazo de validade?
Nunca terá, só precisamos de a saber preservar e alimentar.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Tão bom estar de volta a casa! O meu coração está sempre nesta cidade, onde sou sempre muito feliz!

Se Lisboa fosse feliz, como seria?
Feliz é quem tem em si a luz que todos os fotógrafos gostavam de captar. A luz que faz qualquer filtro do instagram corar de vergonha. A luz que enche almas e corações. A luz que apaixona e que nos faz morrer de saudades desta cidade.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
A Joana Ferrão por ser uma empreendedora e lutadora e pelo trabalho bonito que tem feito na comunidade Lisboa-Amor. A Cláudia da Hello Twiggs porque o trabalho dela é uma inspiração e tão cheio da luz de Lisboa. A Tânia Catclaw porque representa (e muito bem!) uma nova vaga de tatuadores super talentosos. A Rita (Psicóloga dos miúdos) porque é cheia de alegria e sorrisos e tem um trabalho lindo e muito forte.