100 Lisboetas que tens de conhecer!

#33 – Ricardo Ribeiro

Sempre astuto com as palavras, ou não fossem elas parte essencial da sua vida, ao ser confrontado com um pedido de descrição de quem é responde dizendo que a sua melhor biografia é o livreiro Sr Teste, músico (clarinete e clarinete baixo) e programador na Associação Guilherme Cossoul em Santos, onde reside a livraria/alfarrabista.
Se quiseres saber que Lisboeta é este que se divide em tantas vertentes descobre o nº 33, esta semana.

Diz-me quem é o Ricardo visto de fora?
Mil e uma possibilidades dependendo da perspectiva, distância e atenção.

És alfacinha de berço, por devoção ou por convicção?
Por sedução.

Porque achas que foste escolhido para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Para me tornar o mais autêntico desconhecido.

Que projectos estás a cozinhar neste momento no teu forno encefálico?
Como desaparecer, deixando rastos (o meu trabalho).

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
Sou perito em perseguir más ideias e concretizá-las. A prova é que sou músico e livreiro em Portugal.

Há algum segredo que ainda falte revelar sobre ti?
A revelação adensa o segredo.

Gostas de alfaces?
Prefiro um copo de água.

Para ti Lisboa é…
…deriva.

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
Paris.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Retirava as excessivas ideias de novidade que têm invadido a cidade.

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Gostaria de continuar a frequentar os sítios que me enriquecem sem o receio constante de que passado uma semana possam encerrar para dar origem a mais algum estabelecimento que não sirva a cidade e as pessoas.

Lisboa tem prazo de validade?
O prazo é imposto pelo desejo de ser novidade, ignorando a personalidade da própria cidade e descaracterizando-a.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Encontros.

Desejo para 2015?
Desejo que a arte e o pensamento em Portugal venham a ser realmente valorizadados. O entretenimento veloz e de fraca qualidade continua a ser sobrevalorizado pelos que ocupam posições de responsabilidade nestas áreas em deterimento dos que realmente têm feito um trabalho sólido e que para além de tudo, fomentam o pensamento crítico, coisa rara nestes tempos. Continuam a acontecer situações escandalosas e injustificáveis que asfixiam aqueles que são os pulmões desta cidade nestas áreas, sendo o exemplo mais pernicioso a situação do Atelier Real do João Fiadeiro e o Teatro Cão Solteiro.

Se Lisboa fosse uma música, qual seria?
“Sweet Nothing” dos Velvet Underground.

O que achas que é necessário para Lisboa ser uma referência Mundial?
Encontrar-se e valorizar o que tem de intemporal, assim como as pessoas que lhe dão vida.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”
Terá de ser o Chtcheglov Pinti. É urgente!