100 Lisboetas que tens de conhecer!

#35 – Raquel Lains

Nasceu em Coimbra em 1978 e vive actualmente em Lisboa, o que desde já a habilita a estar nesta lista.
É licenciada em Comunicação Cultural pela Universidade Católica Portuguesa e tirou uma especialização em Produção e Marketing Discográfico na ETIC.
Já passou pela Sabotage Records (distribuidora) e Zounds (editora e promotora de espectáculos) com funções diversas entre o serviço de vendas online, promoção discográfica, actualização e desenvolvimento de conteúdos online, assistente de produção de espectáculos, responsável pela facturação e relação comercial com as lojas e co-responsável pelo relacionamento com as editoras nacionais e internacionais. Foi também colaboradora na Universal Music enquanto promotora discográfica responsável pelo sector das rádios.
Em 2004 fundou a Let’s Start A Fire cuja linha musical é definida pelas bandas nas quais acredita realmente e com as quais se identifica. Na Let’ Start A Fire promove e agencia bandas. A nível da promoção, é responsável pela divulgação de diversas bandas a nível nacional.
E hoje está a ser promovido ela prórpia no nº 35!

Diz-me quem é a Raquel Lains vista de fora?
(É estranho falar na terceira pessoa mas aqui vai…) A Raquel Lains é alguém que conseguiu concretizar e continua a concretizar o seu sonho de trabalhar com as bandas e artistas que admira muito. Sonha poder fazê-lo para o resto da vida, para sempre, por não se imaginar a fazer outra coisa (isso implicaria ser uma pessoa menos feliz). Sabe que tem o cão mais lindo do mundo, o Belle, e acredita que ele vai estar ao lado dela para sempre, por ser imortal, por ter poderes super caninos que não vão deixá-lo nunca largar a sua dona. Adora o bairro onde vive, Campo de Ourique, e é extremamente agarrada aos amigos, sem os quais não consegue viver nem ser feliz. Gosta de piqueniques, bolas de sabão, brincar ao pauzinho com o Belle, ver filmes de Domingo (maus filmes) para desligar a cabeça, cheirar livros e quase tudo o que compra, ter a secretária de trabalho arrumada e ter sempre lenços de papel à mão para os ataques de alergia regulares que tem. Continua a sonhar que um dia vai ter tempo para aprender a tocar baixo e tem colado no candeeiro da secretária de trabalho os muitos post its da mãe a dizer que gosta muito da filha e que está muito orgulhosa da filha. Espera ter cara de miúda para sempre apesar de já ter 37 anos.

És alfacinha de berço, com devoção ou por convicção?
Nasci em Coimbra, fui viver para Leiria dias depois de ter nascido e vivi lá até 1999, ano em que vim para Lisboa. Não sei se isso já me dá o direito de dizer que sou de Lisboa mas quando me perguntam de onde sou, digo sempre Lisboa e depois auto corrijo-me e digo que venho de Leiria… sinto-me lisboeta… a minha cidade é Lisboa, foi a cidade pela qual me apaixonei de imediato e pela qual me apaixono ainda mais a cada dia que passa. Sou alfacinha com devoção e por convicção.

Porque achas que foste escolhida para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Fiquei meia sem jeito quando me convidaram para a entrevista… Afinal, as entrevistas que marco são para os meus artistas e bandas que têm a sua música para mostrar e as suas histórias para contar… Enquanto eu, enfim, não sinto ter nada interessante para contar. Por isso, acho que foi pelo trabalho com as minhas bandas que o convite surgiu. Eu sou a Let’s Start A Fire, faço promoção e agenciamento de artistas e bandas que gosto e admiro. O meu objectivo é garantir uma eficaz divulgação da música que promovo em todos os meios de comunicação (TV, Imprensa, Internet e Rádio), agarrar os discos das bandas que anseiam pelo seu espaço no mundo discográfico e fazer a promoção que merecem! Toda a promoção a que têm direito! Para além disso, faço agenciamento de bandas que procuram alguém em quem confiar a marcação dos seus concertos em todo o território nacional, nos vários tipos de salas de espectáculo ou eventos. Apesar de já haver alguma oferta deste tipo de serviços, a Let’s Start A Fire diferencia-se pelo género de música e editoras que trabalho e pela relação de proximidade que crio com todos com quem colaboro de alguma forma. Quero trabalhar os discos e as editoras de que realmente gosto e os eventos com que me identifico, que realmente me dizem alguma coisa, que mexem comigo. O som que trabalho não tem necessariamente de pertencer a um determinado género musical mas tenho de gostar do disco/ banda/ concerto para dar a cara pela Let’s Start A Fire e vice-versa, para a Let’s Start A Fire dar a cara por ele. E cada disco/ banda/ concerto é trabalhado individualmente, com a atenção e cuidado que merece! O que me move é a paixão pela música. E a vontade de dançar!

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
Não sei se foi a pior mas foi a primeira que me lembrei após ler esta pergunta. Cortar a franja à tesourada rente à cabeça porque me estava a irritar quando estava a ver televisão. Eu era criança e os desenhos animados eram importantes demais para estarem a ser importunados por uns cabelos sempre à frente dos olhos. Passei uma boa temporada de boné porque fiquei meia careca na parte da frente da cabeça tal foi a raiva com que cortei o cabelo…

Que projectos estás a cozinhar neste momento no teu forno encefálico?
Gostava de dizer algo muito inteligente e espectacular mas a única coisa que posso neste momento chamar de projecto são as minhas primeiras férias deste ano que estão previstas para meados de Novembro. É isso que ando a planear e que ando a sonhar fazer! Em relação ao meu trabalho, não consigo chamar nada de projecto porque quando penso em algo, começo de imediato a trabalhar nisso e torna-se de imediato muito real (não sei porquê mas a palavra projecto dá-me sempre a sensação que pode não ser realizável). Mas a verdade é que nas últimas duas semanas andava a sonhar poder fazer o agenciamento dos Youthless e vou fazê-lo. Estou completamente nervosa (de felicidade) por ter este privilégio! Juntar os Youthless aos meus Cave Story e Los Waves no agenciamento que faço, brutal!!!

Há algum segredo que ainda falte revelar sobre ti?
Ao mundo inteiro, sim, porque ninguém me conhece.
No meu íntimo, junto dos meus amigos, não há segredos, eles sabem-nos todos. Talvez o segredo que vos possa contar é que sou eu que tenho os melhores amigos do mundo… eu sei que todas as pessoas no mundo acham que têm os melhores amigos à face da terra mas o meu segredo é mesmo esse, é que os meus amigos são mesmo os melhores do mundo inteiro e não há amigos como os meus.

Gostas de alfaces?
Gosto, sim! Muito. Mas devia comer mais alfaces… e menos bolachas.

Para ti Lisboa é…
Onde me sinto eu própria, a minha casa e donde não quero sair nunca (a não ser de férias, por tempo limitado).

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
Leiria foi a cidade onde cresci e me tornei no que sou hoje… Por isso, ela é a minha 2ª cidade! Foi, inclusivé, em Leiria que o meu gosto pela música se desenvolveu! Eu era daquelas miúdas que saía da escola e ia ouvir música para a sua lojinha de discos favorita, ia conhecer música nova e passava horas de headphones nos ouvidos a catrapiscar discos e mais discos. Para além disso, cresci rodeada de muitos amigos mais velhos com um interesse enorme por música e que acabaram por me influenciar bastante! A música era uma das minhas maiores paixões e fui sempre tentando acompanhar a iniciativa musical e as bandas locais. Acho que podia descrever milhares de momentos muito importantes da minha vida em Leiria em que a música teve um papel fundamental e que os tornou ainda mais especiais…
Apesar disso, se algum dia sair de Lisboa, não será Leiria a minha cidade de eleição para viver. Berlim é a cidade que escolheria para viver…

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Substituía as árvores que me fazem alergia e me cortam a respiração por outras tão bonitas ou mais bonitas que essas. Isto é uma medida completamente egoísta mas sofro imenso com alergias e assim iria gastar menos volumes de lenços semanalmente.
Adorava também que houvesse uma forma de controlar os donos dos cães que não apanham o cócó. É uma falta de respeito enorme. Eu tenho um cão (o Belle, o cão mais lindo do mundo!) e faço-o sempre de forma a manter as ruas limpas.
Mas agora que escrevi estas coisas tenho plena consciência da não importância destas medidas quando há tantas pessoas a dormir na rua. Isso é algo muito urgente de resolver, arranjar uma solução para os sem-abrigo de forma a tornar a vida dessas pessoas um pouco mais feliz e confortável.
Não sei, há muito a fazer e muitas medidas a tomar.

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Na próxima semana gostava de ver na 3ª feira They’re Heading West na Casa Independente, na 4ª feira Duquesa no Musicbox, na 5ª feira Peach Kelli Pop no Damas, na 6ª feira os meus The Walks no Sabotage e a dupla Litro Suave (DJ Miguelitro e Mano Suave) na Casa Independente, no Domingo Girl Band e os meus Cave Story na ZDB… No próximo mês, Lisboa recebe a minha banda favorita, os Belle and Sebastian… Lisboa dá-me muito e o difícil é conseguir ir ver tudo o que me oferece… mais não posso pedir!

Lisboa tem prazo de validade?
Claro que não, Lisboa é para sempre! Não acredito que quem toma conta dela (no fundo, somos todos nós) a possa destruir de forma a deixar de ser a Lisboa que conhecemos e amamos.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Se vier de férias de outro país penso logo O MEU BELLE! Se vier de fim-de-semana penso logo na minha casa, no meu sofá, no jantar de Domingo (petiscos) e em ver filmes idiotas e romances maus.
No fundo, Lisboa é sinónimo de CASA, de tudo e todos os que amo e quero ter na minha vida e do conforto que sinto quando cá estou.

Se Lisboa fosse um estilo musical, qual seria?
MPB, Música Popular Brasileira. É incrível o que conseguem exprimir por palavras o que eu própria sinto e que nunca iria conseguir dizer sozinha. Não há música que me toque mais que a MPB… tal como não há cidade que me tenha tocado mais que Lisboa…

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
A minha mãe porque é a minha mãe.
O Tiago, o Castro, a Diana, o Zé André e a Soni porque são os maiores amigos do mundo.
A Inês Magalhães (MagaSessions, MagaFest) porque é a pessoa com quem trabalhei que mais me identifico (e não senti nunca isso desta forma com mais nenhuma outra pessoa até hoje), porque tudo o que faz lhe é emocional, faz tudo com o coração, ama o que faz e só o faz por isso.
A Sara Feio porque acho-a uma ilustradora incrível (para além duma grande amiga minha)!
A Vera Marmelo porque acho-a a fotógrafa de música mais brutal, porque consegue captar a beleza da emoção da música e do sentir dos músicos duma forma única.