100 Lisboetas que tens de conhecer!

#37 – Hugo Makarov

O Hugo é alguém que transporta consigo sempre uma energia positiva, vibrante e cheia de força. Chegamos ao pé dele e apetece-nos de  imediato esboçar um sorriso e sacudir de cima dos ombros qualquer coisa que nos incomode. Esteja onde estiver, papel e lápis estão sempre por perto e enquanto se conversa, ele desenha.

BD, tatuagens, amigos e escalada são das coisas que mais gosta na vida. Um sonhador que põe em prática os seus devaneios, tal como as linhas que vai criando: ora no papel, ora na pele ou até numa rocha! E onde é que podes ver a sua obra? Nas paredes da Pensão do Amor, no elogio ao Fado das Escadinhas de São Cristóvão, nos armazéns da Lx Factory, numa Popota dançarina, na Moda Lisboa (onde esteve a marcar corpos) e acabadinho de sair do forno (vais perceber, ao ler a entrevista, que falamos com ele poucos dias antes dessa novidade poder ser revelada), o livro “O Principezinho” anotado por José Luís Peixoto e ilustrado por Makarov.

Já agora, em jeito de segredos que a sua timidez leva tempo a revelar, o Hugo chama-se Martins, é a sonoridade romântica e forte dos nomes russos que o inspirou a adoptar Makarov! Como vês, uma mão cheia de razões para estar nesta lista e dar um belísismo mote ao nº 37.

Diz-me quem é o Hugo Makarov visto de fora?
Sou visto, acima de tudo, como o tatuador e o desenhador, que raramente atende o telefone e que tanto pode ser uma simpatia como um desligado do pior, resvés cabeça no ar… E sou tudo isso, mas também tento fazer escalada! Faz-me bem, fisicamente e ao nível da concentração. Mas vivo para desenhar.

És alfacinha de berço, por devoção ou por convicção?
Sou alfacinha por berço, nasci na Avenida Almirante Reis, a minha família vivia na altura no alto de São João. Mas, também por devoção e convicção. Adoro esta cidade, cresci perto da baixa e estudei nas avenidas novas, os jardins e os bairros antigos eram visitados habitualmente, foi aqui que aprendi a ser o que sou hoje, a apreciar as diferenças e os contrastes.

Porque achas que foste escolhido para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Não sei, fico sempre espantado quando me elogiam ou algo do género, faço o que faço por gosto e não por reconhecimento, mas agradeço e agrada-me esse reconhecimento. Gosto de pensar que o meu trabalho reflecte a multiplicidade e confusão organizada que relaciono com Lisboa e seja por isso que tenha chegado aqui.

Que projectos estás a cozinhar neste momento no teu forno encefálico?
Um livro, estou a terminar a ilustração de uma edição especial que vai sair em outubro, mas até lá não posso revelar, ao nível pessoal, tenho planos de me afirmar mais como ilustrador e produzir mais ilustrações para a área editorial.

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
A pior ideia? Morar num quinto andar sem elevador… Ahahah! Ideias são sempre boas, mesmo que muito más ou irreais… Adoro ideias irreais e surreais. Até agora, as piores ideias que tive só são más ideias porque não as consegui pôr em marcha.

Há algum segredo que ainda falte revelar sobre ti?
Segredos… Há. Mas, por definição terão de ficar para mim para assim permanecerem.

Gostas de alfaces?
Gosto sim, em modo salada.

Para ti Lisboa é…
Lisboa é caos organizado, é passeios arranjados e estradas com buracos, é a cidade com a mais bela luz da Europa. É cultura, festa e bulício.

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
Berlim, ou Roma… Conheci este verão, fiquei apaixonado.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Cortar o trânsito no centro da cidade. Baixa e Chiado, bairros antigos e Avenida da Liberdade, por exemplo…

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Mais concertos, mais cultura, mais arte… Menos obras, menos trânsito, menos poluição. Mais gente a andar a pé, a conhecer a cidade, a apreciar os pequenos detalhes.

Lisboa tem prazo de validade?
Não me parece.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Na luz. É incrível. Mesmo a chover, naqueles dias feios, que são raros….

Desejo para 2015
Trabalho, viajar, e receber amigos em casa.

Se Lisboa fosse uma música/imagem/marca/…, qual seria?
A imagem que me aparece na cabeça quando penso em Lisboa são as ruelas e escadinhas de alfama a cheirar a figueira e a sardinhas assadas.

O que achas que é necessário para Lisboa ser uma referência Mundial?
Acho que já é, mas ainda precisamos de mais. Precisamos de líderes empreendedores e alguma publicidade localizada.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
Um lisboeta que merece ser reconhecido não é lisboeta nem português, mas adoptou o nosso país e a cidade de Lisboa como sua, o chef Ljubonir Stanisic. Um grande cozinheiro, um apoiante das artes, um adepto de festa e um bom amigo.