100 Lisboetas que tens de conhecer!

#46 – João Campos

O João Já foi ao Brasil. Ainda não foi a Praia, a Bissau, a Angola, a Moçambique, a Goa, a Macau, ou a Timor… Mas é um conquistador e um inspirador. Conquistou provas de obstáculos (OCR), várias maratonas, muitas ultra-maratonas em trilhos, provas com mais de 100kms e de 24 horas. Inspirou dezenas de pessoas a saírem dos sofás e a acompanhá-lo em provas e em treinos. Inspirou estas dezenas de pessoas a deixarem uma vida sedentária e a tornarem-se mais saudáveis.

Quem já passou por Santa Apolónia nas segundas terças-feiras e/ou quartas quintas-feiras de cada mês, por volta das 20h, pode ver o inicio de um dos seus treinos sociais – e um dos mais concorridos – de Lisboa. O objetivo: percorrer as ruas e escadas da Baixa Lisboeta várias vezes, aliando desporto, convívio e uma visita guiada a locais emblemáticos desta cidade que todos amamos.

O João Campos é um programador informático de 41 anos que descobriu a paixão pelo desporto em 2005 e a redescobriu, de forma mais metódica e pensada, em 2011. O João é um defensor de um estilo de vida saudável, onde o desporto é essencial, mas cada um com o seu ritmo. O João não tem carro, prefere andar a pé ou de bicicleta. O João gosta de transportes públicos e acredita que têm tudo para ser uma alternativa viável. O João não é profissional de desporto, mas é uma inspiração para muitos amantes da corrida. O João gosta muito de correr, mas deu-nos esta entrevista “porque a vida não é só corrida“.

Diz-me quem é o João Campos visto de fora?
O João Campos, visto de fora, é aquele homem do cabelo encaracolado e rebelde, que quando acredita numa coisa é capaz de morrer por ela.

És alfacinha de berço, por devoção ou por convicção?
Sou alfacinha-satélite, se é que podemos dizer isso. Nasci nos arredores de Lisboa, morei já na zona de Belém, Cruz Quebrada, Cascais e agora Lisboa (Centro), parece-me que não ficarei por aqui.

Porque achas que foste escolhido para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Talvez por dinamizar actualmente uma espécie de treinos de corrida em Lisboa, que andam pelos bairros tradicionais da Baixa, ali por volta das Escadinhas & Subidinhas da zona.

Que projetos tens em mãos?
No momento, editorialmente mantenho o blogue porque a vida não é só corrida, onde falo de tudo um pouco focando especialmente, adivinhe-se o quê… A nível desportivo, dinamizo todas as segundas terça-feiras e quartas quinta-feiras de cada mês, em Santa Apolónia, os treinos das Escadinhas & Subidinhas, com menos regularidade os treinos Vai tudo abaixo, e ocasionalmente outros que vão surgindo e que vou imaginando, sozinho ou com outros grupos. Tenho ainda um projecto que está “meio embargado”, o Corredor do Bus. Este projecto que visa percorrer a correr todas as carreiras de todos os transportes públicos do Mundo, é mais complicado de realizar, especialmente sem apoios, daí este embargo temporário mas em breve retomarei.

Como vês a evolução da corrida como desporto amador?
Talvez devido às “redes sociais” e ao “passa palavra”, a expansão é enorme. O que parece agora é que “toda a gente corre”. Em parte é assim, não é muito complicado “calçar umas sapatilhas e ir correr”, mas nem sempre é fácil manter a regularidade. Quanto à evolução, parece-me a mim que tem evoluído bastante em número de participantes, embora não surjam muitos novos talentos que se profissionalizem depois.

A corrida é só uma moda temporária ou algo que veio para ficar?
Tenho uma opinião bastante dividida quanto a isto. Já vi outras modas virem, e irem. Considero-me bastante atento ao “mundo do running” e já vi muito praticante aparecer, correr e desaparecer também. Considero que a “corrida” está a seguir a tendência de Cauda longa, sendo que o mercado começa a ficar saturado.

Achas que Lisboa a poderia usar como um catalisador turístico?
Em parte, sim. A zona ribeirinha no eixo Cais do Sodré – Belém, com o seu caminho paralelo à ciclovia, é bastante apetecível e de dificuldade fácil. As zonas mais interiores, têm outra beleza monumental, diferente, mas apresentam desafios mais complexos, quer a nível de “altimetria” (muitas subidas), quer a nível de acessibilidade (passeios estreitos, esburacados, pinos, carros). Mas sim, considero que sim havendo já inclusivé alguns projectos nessa área.

O que mudarias na tua vida hoje, olhando para trás?
O que mudaria na minha vida, hoje…? Hoje, nada. Quanto ao passado, talvez devesse ter tomado mais atenção a mim próprio e ao meu bem-estar físico mais cedo, mas nada está perdido.

Para ti Lisboa é…
…uma cidade europeia, como outras tantas.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual seria a tua primeira medida?
Tomar medidas sérias e práticas de forma a tornar a cidade mais acessível a todos os que não utilizam o carro como o seu transporte principal, fosse através da criação de estacionamentos nas zonas limítrofes a preço acessível, de uma rede de transportes públicos optimizada ou, quem sabe, algum tipo de benefício fiscal para quem utilizasse bicicleta como meio de deslocação diário. Ah, procurava também uma solução para optimizar os passeios de forma a torná-los de mais simples utilização para cidadãos com mobilidade reduzida.

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Próxima semana, anúncio de medidas concretas para melhoria da rede de transportes públicos. Próximo mês, começo de novas obras de acessibilidade pedestre e começo das obras de finalização de ciclovias previstas. Próximo ano, erradicação dos sem-abrigo na cidade.

Lisboa tem prazo de validade?
Não, Lisboa é intemporal, já sobreviveu a um terramoto e tudo.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Beber um café expresso.

Desejo para 2016?
Que tudo corra igual, ou melhor do que em 2015 e que toda a gente que tem objectivos concretos os consiga cumprir. Quem não os tem, procure-os, porque viver sem objectivos concretos, é complicado.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”
Posso sugerir o meu amigo Joel Silva, cúmplice e companheiro de aventuras habitual, o António Soares, criador do grupo dos Runners da Frente Ribeirinha da Póvoa de Santa Iria e, por fim, o Ricardo Silva do blogue Mete Vaselina. Embora só o tenha visto ao vivo uma vez, sou seguidor atento dos seus escritos inspiradores.