100 Lisboetas que tens de conhecer!

Fotografia: Chtcheglov

#48 – Inês Castel-Branco

Inês Castel-Branco estudou Línguas e ainda tirou parte da licenciatura de tradutora e interprete, até ao momento em que teve de decidir entre continuar o curso ou dedicar-se à representação. Pelo caminho fez uma visita à moda e é conhecida pelos amigos por gostar de cantar, mas não ter grande voz.

Presença assídua nas telenovelas portuguesas e teatros nacionais, a atriz tem de, com alguma frequência, responder a entrevistas e escrever bios na terceira pessoa, o que é um bocado estranho. Com um sentido de humor que poucos conhecem, não gosta de dar entrevistas, pois acha que ninguém entende o tom da sua resposta por escrito. Mesmo assim, deu-nos a honra desta bela conversa.

Diz-me quem é a Inês vista de fora?
Nunca sei responder muito bem a esta pergunta… Eu gostava que me vissem como uma mulher trabalhadora e profissional, independente, energética, uma super mãe bem educada e com boa onda. Mas, provavelmente, vêem uma miúda gira que diz alguns disparates e faz novelas. Estou a brincar… Não estou não… Estou sim… Não…

Que projectos tens em mãos?
Recentemente, aos fins-de-semana, fui a Pippi das Meias Altas no Teatro Villaret. Durante a semana, para além de levar muito a sério o papel de soccer mom, estou envolvida em dois negócios: a Food*Art*Clothes e a Cafetaria Village. Estou também a preparar as próximas personagens que irei interpretar em Maio, uma em teatro, outra em televisão, sobre a qual ainda não posso falar.

Enquanto actriz qual é o registo que te enche mais a alma? TV, Cinema ou Teatro?
Gosto mesmo é de representar. Cada um dos registos me agrada pelas suas características tão diferentes e porque, na verdade, estou a representar e é isso que me faz levantar da cama (isso e não só).

Porque decidiste abraçar o projeto da Cafetaria no Village Underground? O modo como a sociedade das cidades grandes se alimenta é um tema que te preocupa?
Ahahahahaha. Nem por isso. Sou bastante liberal em relação à alimentação que cada um quer para si mesmo e para os seus filhos. Na verdade, aquilo que me agrada na cafetaria é o projecto onde a mesma está inserida. O Village Undergroud Lisboa tem sido erguido por uma mulher com bastante valor, que por acaso é minha amiga e sócia: Mariana Duarte Silva. Um local que junta empreendedorismo, trabalho, arte, oportunidades e muito mais… E tudo isto, com muito bom gosto. Poder fazer parte dele é um motivo de enorme orgulho. O nosso grande objectivo é alargar o potencial da cafetaria para os fins-de-semana, transformando-a num local ideal para ir em família, comer bem e não gastar muito dinheiro.

Deixa um incentivo a todas aquelas mulheres que ainda se confrontam com a dicotomia mãe vs. trabalho.
Os nossos filhos têm grandes exemplos em casa. A minha mãe acumulava 3 trabalhos e nunca a achei ausente, pelo contrário, ela é a minha grande referência.

O que mudarias na tua vida hoje, olhando para trás?
Teria saído de casa da minha mãe mais tarde. Teria feito uma licenciatura em Teatro. De resto, mantinha tudo igual.

Para ti Lisboa é…
…a cidade mais bonita do mundo.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Melhorava os espaços verdes e parques infantis para promover estes espaços públicos como local de encontro.

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Gostava que houvesse mais fiscalizações e soluções no que conta às fezes dos animais espalhadas pelas ruas da cidade. Gostava que houvesse mais aproveitamento dos nossos espaços públicos com actividades culturais. Gostava que houvessem menos tuk tuk.

Lisboa tem prazo de validade?
A unica coisa que me preocupa nesta resposta são catástrofes naturais.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
“Finalmente em casa. Vou de metro ou de Uber?”

Desejo para 2016?
Saúde para todos. E coragem para ir atrás do que queremos.

Porque achas que foste escolhida para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Não faço ideia. Se calhar houve um engano qualquer, mas eu vou aproveitar.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
O Sr. Celestino! Tem uma merceeira mesmo ao pé da minha casa. Absolutamente encantadora. Antiga, mas muito bem conservada tal como o próprio.