100 Lisboetas que tens de conhecer!

#55 -Filipa Gomes

A Filipa é uma miúda cá das nossas já que pertence à geração de 80. Cresceu entre hortas, árvores de frutos e animais, numa aldeia nos arredores de Sintra e numa casa de gente que, não tendo nada a ver com restauração, cozinhava muito bem. Menos ela, que só se aventurava nos tachos e panelas em dias de festa.
Estudou na António Arroio, tirou o curso de Marketing e Publicidade no IADE, trabalhou nalgumas das principais agências do mercado. Mas foi só quando se apaixonou por um alentejano, fugido de Elvas, e foi viver com ele para Lisboa, que começou a cozinhar e percebeu o que tinha andado a perder. Acabou por largar a sua anterior vida para se dedicar à cozinha, quando em 2013 foi a vencedora de um casting promovido pelo 24 Kitchen-Fox.
3 anos depois já escreveu, criou receitas e apresentou mais de 160 episódios do Prato do Dia – o programa nacional com mais audiência no canal de culinária. Diz que teve também a sorte de co-apresentar um programa com a grande Filipa Vacondeus, mas nós achamos que teve também muito mérito. Acabou também por ganhar o Prémio Multimédia pela Academia Internacional da Gastronomia, em 2015.
Comer bem e ser feliz, é assim que ela leva a vida e só por assumir isto já merece este destaque nos 100 Lisboetas que tens de conhecer!

Diz-me quem é a Filipa Gomes vista de fora?
É a dona de casa do tempos modernos, a atirar para os tempos antigos. Adora roupa, cabelos e objectos retro. É muito mais feliz agora que cozinha a tempo inteiro. E está na cara que gosta de levar uma vida de malhão: comer e beber, ó trrrim tim tim, passear na rua!

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
É sempre a mesma: não oferecer o bolo que sobra e acabar a comê-lo todinho até ao fim.

Que projetos estás a cozinhar neste momento no teu forno encefálico?
Tenho um que está quase quase a sair do forno. Vai ser dia 26 deste mês e são 6 suplementos, com um total de 90 receitas minhas. Foi feito com muito entusiasmo e estou super feliz! Principalmente porque vai chegar às pessoas de forma TOTALMENTE GRATUITA! Bom, mais ou menos, têm de comprar a revista que a oferece – a Flash. Mas acho que nem conta.
Para além disso vou andar por aí a partilhar felicidade em forma de comida, com showcookings em Vagos, nos Açores, em Lisboa e sabe-se lá mais onde.
Estou também com umas ganas imensas de voltar à televisão. Se possivel num formato meu! Ando a magicar umas coisas… E tenho mil ideias na cabeça, mas como continuo a tentar ser namorada, mãe, dona de casa, cozinheira, criativa, account e manager, tudo em simultâneo, não me está a sobrar tempo para as passar as ideias para o papel e do papel para a vida real. Precisava muito de alguém que me conseguisse organizar a vida!

Há algum segredo que ainda falte revelar sobre ti?
Bastantes. Toma 3: Para quem acha que só como coisas elaboradas, saibam que lá em casa somos capazes de jantar frango assado da churrasqueira mais do que 1 vez por semana. Não sei receitas de cor. Já fui a 2 concertos da Ivete Sangalo, e gostei!

Para ti Lisboa é…
…a minha alma adulta. É uma luz única, com o rio sempre à vista. É o fumo das grelhas. É o tilintar dos eléctricos e tirolar do amoladores. É um chão de tábua corrida, uma janela aberta para a rua. São jardins e árvores. É gente que almoça e a janta feliz.

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
Sim, depois e só depois de Lisboa, Madrid. Adoro! E não tenho vergonha nenhuma de dizer. Bem sei que há qualquer coisa, uma espécie de raiva ou de inveja, que os portugueses têm em relação aos espanhóis, que eu não entendo e que acho que não faz sentido absolutamente nenhum. O mesmo acontece com o Porto, por exemplo. Que grande estupidez essa coisa do regionalismo. Ter orgulho às raízes é lindo, mas não faz mal gostar de mais sítios. Porque sim, Madrid es de puta madre, assim como o Porto é do c******.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Proibia a palavra gourmet em todas as cartas e estabelecimentos e publicações, estou a brincar…! Se eu fosse Presidente da Câmara, não deixava que se construíssem prédios novos em Lisboa enquanto os que estão velhos, tristes e abandonados não fossem recuperados com o respeito que merecem. De resto: por amor à santa, tapem-me os buracos das estradas!

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Um festival gastronómico, à escala daquele que o Jamie faz. Comida e música e famílias e alegria. Até podíamos ir à boleia dos santos…

Lisboa tem prazo de validade?
Quero acreditar que não, mas depois vem aquele cheirinho a azedo das lojas de souvenires genéricos fabricados na China e fico um bocado preocupada.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Ahhh, saudades!

Se Lisboa fosse uma receita qual seria?
Devia ser o pastel de nata, que tem uma receita com princípio meio e fim e é a que mais enche a boca de estrangeiros e portugueses. Mas eu acho que Lisboa sabe a gamba da costa cozida, servida ainda quente, salpicada com pedras de sal grosso e uma cerveja gelada a acompanhar.

O que achas que é necessário para Lisboa ser uma referência Mundial?
Eu acho que já é! A Monocle tem feito um óptimo trabalho! (risos) Tenho a sensação que é vista como a Europa exótica. Bonita, barata, bom tempo, as pessoas as vezes são um pouco rudes, “mas não importa porque a comida compensa sempre” , e no final ainda conseguimos ser genuínos ao ponto de mostrar as cuecas do avesso no estendal. Lisboa ainda é um postal. Mas se continuarmos a deixar que os hostels cresçam no meio da Mouraria, se calhar vamos ter problemas. Atenção, eu sei que precisamos de turistas e adoro ter turistas – vivo em Belém, eles alegram a minha manhã todos os dias, juro! – mas acho que se devia reunir um conselho para se pensar na forma como o turismo pode a crescer na cidade com coerência. Porque pode ser um flangelo! É ver o que aconteceu com Barcelona.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
Graça Maria Martins, dona de uma mente criativa fervilhante e mãe da Bainha de Copas. Se não tiverem oportunidade de se cruzar com ela, podem conhecer uma parte do seu trabalho no site: bainhadecopas.pt  Actualmente com o conceito Portuguese Wearitage, é tudo belo e nosso!