100 Lisboetas que tens de conhecer!

#56 – Lisboeta Italiano

O Lisboeta Italiano é um projecto fotográfico que se funde com o seu autor. De nome André Miguel, jovem de olhar profundo mas riso fácil, apresenta-se como um fã da capital portuguesa que se reflecte na Pátria Italiana.
Com apenas 21 anos é já reconhecido pelo alter ego de título curioso que marca a sua trajectória de vida a assistir cinema italiano como escape à crua realidade de um Portugal menos culturalmente cinéfilo ou atrevidamente cómico. Nos seus retratos, humanamente nus expondo almas, revela as preocupações de uma nova geração revigorada. Mais que isso, o jovem fotógrafo analógico em tempos digitais, é um fervoroso defensor de uma cidade sustentável, ciclovias, cultura urbana, e claro, um passo de dança na capital boémia.

Diz-me quem é o Lisboeta Italiano vista de fora?
André Miguel com os seus vinte e um anos, um rapaz alto, nascido e criado em Lisboa. É um rapaz que tem ainda muito por aprender e explorar. Tímido, lutador, humilde, com vontade de viajar pelo mundo fora e conhecer pessoas novas.

Certo, és o André Miguel, um alfacinha de berço, por devoção ou por convicção?
Acabo por ser um pouco os três, apesar de ter uma costela nortenha defendo Lisboa com toda a garra.

Como começou a tua relação com a máquina fotográfica?
A minha bolha criativa começou no CoworkLisboa, pela iniciativa da criativa e magnifica Ana Luísa do blogue Doce para o meu Doce que me ajudou neste meu processo criativo. Comecei com um projecto fotográfico com a ajuda de um grande chefe e “pai” Fernando Mendes CEO do CoworkLisboa. Desde então, com o apoio fundamental destas duas pessoas, tenho continuado no mundo da fotografia.

E foi aí que o Lisboeta se fez Italiano?
Foi nesse espaço que senti a necessidade de criar o meu espaço. Onde podia mostrar fotografia retrato que tinha necessidade de fazer. Posso admitir que a criação deste blogue foi por fonte de inspiração da talentosa Ana Luísa e do Pedro Ivan do Pics of You que fez com que sentisse esta necessidade de criar um espaço só meu.

Dirias que estás a viver ‘La Doce Vita’?
Depende… Queres fazer a comparação do romance com a actriz jornalista ou basicamente de uma vida doce? Se for no sentido do filme não. (risos) Não ligo a minha vida ao filme. Se for por estar a viver a “vida doce”, sim. Estes meus 21 anos estão a ser o meu momento. O momento de fazer ou morrer. Vou tentar que o meu processo criativo se espalhe e seja reconhecido.

Mas mudarias algo na tua vida hoje, olhando para trás?
Não! Voltaria a fazer tudo de novo. Só mudava uma coisa, teria mais coragem, mais garra e um pouco de confiança.

Para ti Lisboa é…
…o sítio onde me consigo libertar. É a entrada para a realização dos sonhos. Onde de dia posso visitar e fotografar quem eu quiser, porque por todo o sítio onde já passei nada bate a luz de Lisboa. Tento mostrar isso nas fotos. A luz de Lisboa! E de noite é onde me liberto por completo. Deixo de parte todas as inseguranças e liberto-me na pista de dança.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual seria a tua primeira medida?
Eu apostava mais na cultura local, em espaços verdes e apoio sobre os meios de transporte alternativos.

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Mais espaços co-work, mais artistas, uma grande ciclovia que ligasse toda a Lisboa aos meios suburbanos, mais apoios do Estado para a Arte em Portugal e abrir um pouco mais os olhos para artistas independentes que estão em Lisboa, pois não são apenas dois artistas que temos em Portugal.

Lisboa tem prazo de validade?
Infelizmente sim. Tem sido um sufoco ir a Lisboa e ver o prazo estar quase a chegar ao fim. Cada vez mais Lisboa está a sobreviver de Padarias Portuguesas e tuk tuks. É triste.

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
Que luz e que cheiro é este? (risos) É o modo acelerado da cidade. É fascinante a facilidade de deslocação em Lisboa!

Qual o teu desejo para 2016?
Este é o ano que eu quero fazer a capa de um álbum e de uma revista portuguesa.

Porque achas que foste escolhido para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Por ser giro!? (risos) Estou a brincar. Por acaso não faço a menor ideia, mas desde já agradeço o convite e aproveito para convidar todo o pessoal que queira espreitar um pouco mais daquilo que eu faço.

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
Sugiro algumas pessoas que eu acho que vão vingar não só cá mas lá fora também: Debora Umbelino aka Surma que vai explodir entre este ano e o próximo. Vai ser a next thing da música portuguesa! O Pedro Ivan do Pics of You que faz fotografia analógica como ninguém! É a minha inspiração e acredito que vai ser reconhecido pelo mundo a fora. Por fim, a Ana Cláudia do caminhos de ser feliz que também faz retratos analógicos e que é talvez das pessoas que mais adorei de conhecer na vida.