100 Lisboetas que tens de conhecer!

#41 – Diogo Machado/Add Fuel

Certamente já reparaste naqueles apontamentos de azulejos a cobrir caixas de electricidade, muros, escadarias que, quando te aproximas, afinal não o são! Add Fuel é o artista por trás dessa reinterpretação do azulejo português! A sua arte revela complexidade e uma mestria na atenção ao pormenor. São “camadas de história”, superfícies por cima de superfícies que acentuam o efeito de dupla visão tão característico do seu trabalho. Uma confrontação constante, entre o que vemos, o que pensamos ser a priori e o que realmente é. Esse jogo entre sabedoria, mente, inovação é talvez o grande factor conquistador da sua arte. Fazer-nos parar na azáfama do nosso dia a dia e questionar é um dos propósitos.

Hoje, damos-te a conhecer o Diogo Machado, a.k.a. Add Fuel, e no dia 18 de Janeiro fazemos-te passar o dia com ele. Como? Segue a Le Cool Lisboa no Instagram e descobre como é um dia na vida do Add Fuel!

Diz-me quem é o Diogo visto de fora?
Visto de fora… não sei se sou a melhor pessoa para falar sobre isso. Tenho uma visão muito pessoal do Diogo…!
Mas posso especular o que as pessoas veem: Diogo Machado ou Add Fuel, artista, ilustrador, que tem trabalhado sobre a re-interpretação do azulejo português (e não só), aplicando-o no meio da arte urbana e do muralismo. Gosta de jogar com a mente das pessoas porque faz um tipo de trabalho que parece uma coisa e depois é outra, que são azulejos que não o são, porque são pintados em spray e porque têm elementos e personagens nada convencionais para a estética que apresentam, mas depois também trabalha em cerâmica e, afinal, já são azulejos que parecem ser algo que não são, mais uma vez. E faz com que as pessoas pensem “olha são azulejos tradicionais. Não espera, o que está ali no meio?”. Além deste Diogo artista, há outro (que é o mesmo) que até é um gajo porreiro e que está (quase quase) sempre de bem com a vida.

És alfacinha de berço, por devoção ou por convicção?
Sou de berço, nasci em Lisboa. Nunca morei em Lisboa porque me trouxeram logo para Cascais. Mas sou também por devoção porque Lisboa é o sitio para ir ver acontecer.

Que projectos tens em mãos?
Estou com projectos muito interessantes para este ano, tenho já nos primeiros meses do ano duas participações em festivais internacionais de arte urbana (USA e Austrália). Tenho pinturas e intervenções já agendadas para o Verão. Diz-se que vem por ai uma exposição individual e no final do ano (a fazer figas) o meu primeiro livro.

A Street Art em Lisboa teve um crescimento notório, porque achas que isso aconteceu?
Lisboa teve um crescimento bastante notório no meio da arte urbana nos últimos anos. Claro que muito já se fazia antes, mas com o projecto Crono e a pintura dos Gémeos e do Blu, que saiu aí pelos tops de peças de arte urbana mundial, viraram-se muitos olhos para o que se fazia em Lisboa. Plataformas como a GAU, a Mistaker Maker e a Underdogs proporcionaram todo um crescimento inerente a uma procura de arte por Lisboa. Trouxeram artistas internacionais para pintar na cidade e, claro, não se esqueceram dos locais. Acho que também há todo um à-vontade com a arte urbana e as pessoas lá vão percebendo a diferença entre tags, graffiti e arte urbana (atenção que todos têm o seu mérito), sendo que o termo em si “arte urbana” veio quebrar muitas barreiras e facilitar muitas pinturas e intervenções. Assim muito simplesmente, de repente é moda. Mas atenção, não é necessariamente uma coisa má, pelo contrário. Paredes cinzentas são aborrecidas.

Qual foi a pior ideia que tiveste até hoje?
Já tive tantas más ideias que acho que não consigo pensar em nenhuma em concreto. Más ideias normalmente estão associadas a más decisões ou vice-versa mas tento sempre que isso não seja um factor que me perturbe. Bola para a frente (e eu não percebo nada de futebol atenção).

Para ti Lisboa é…
…onde vou para encher a cabeça a ver coisas boas e estar com amigos. É onde levo amigos que não são de Portugal e onde me sinto turista. E é única.

Se fosses Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, qual a tua primeira medida?
Alcatifar Lisboa está fora de questão, certo? Até porque a ideia não é minha. Sendo assim talvez reforçar as medidas de acção em relação aos sem abrigo.

O que gostarias de ver em Lisboa na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano?
Mais apoio à cultura, mais pinturas, mais artistas a surgir, mais arte. Ah… e mais azulejos (sim, mais ainda), pode ser na próxima semana, no próximo mês, ou ontem.

Lisboa tem prazo de validade?
Pode passar de moda, mas não.

Revela-nos qual a tua 2ª cidade, a seguir a Lisboa, obviamente!
Obviamente! Cascais claro. Mas Cascais não é cidade, tem estatuto de vila porque dá jeito. Assim sendo, o Porto. Grandes amigos e grandes bons tempos por lá!

Qual é a primeira coisa em que pensas quando regressas a Lisboa?
De avião é lindo. Aquela descida por cima da cidade. Incomparável. E penso: “casa… estou quase em casa” (porque ainda falta aquela A5 até Cascais). Mas isto é a vir de fora de Portugal, claro. Quando chego a Lisboa porque fiz “aquela” A5 Cascais Lisboa o pensamento normalmente é “onde é que eu estaciono isto?”; seguido de “let the fun begin” (mas em português, porque eu não penso em inglês, isso era só parvo da minha parte).

Desejo para 2016?
Em 2016 gostava de ter um clone (ou um duplo). Tanto para fazer e tão pouco tempo!

Porque achas que foste escolhido para esta lista de 100 Lisboetas que todos devem conhecer?
Boa pergunta. Acho que talvez porque o meu trabalho representa um Portugal onde o passado e o presente se cruzam. Será?

Sugere-nos outras pessoas dignas da referência “100 Lisboetas que tens de conhecer!”.
O Bordalo II.