Alice Rolão

foto: Gabrielle Germano

Alice Rolão, ilustradora licenciada em Desenho pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa é a autora das nossas capas desta e da próxima semana. Filha do Seixal, gosta da cidade vista a partir do rio – há quanto tempo não experimentas essa Lisboa embalada pelo Tejo? – e dos pormenores que só os mais atentos apreciam. Descobre mais sobre o trabalho dela aqui e não percas a nossa conversa com ela.

Qual é a história desta Capa?
Adoro padrões e repetições e imediatamente pensei que queria incluir azulejos num dos desenhos para as capas. Escolhi seis daqueles que mais vejo quando vou a Lisboa; sublinhando a questão da repetição. Estão nas estações de metros e nos edifícios pelos quais passo e, mesmo já os tendo visto tantas vezes, chamam-me sempre a atenção.

A anterior, também tinha uma história… Queres recordar qual é?
Lisboa está sempre presente na minha paisagem. Vejo-a da varanda da minha sala e vejo-a em qualquer lado que vá aqui. E é uma paisagem tão bonita que, por vezes, na estação fluvial, sento-me lá fora e deixo-me ali ficar a olhar para a outra margem até entrar no barco. E a partir daí é um processo lento de aproximação à cidade, em que deixo só de reconhecer alguns locais ao longe (como as Amoreiras ou a Torre Vasco da Gama) e começo a ser capaz de ver tudo. Esta capa é isso, é uma das vistas que mais vejo quando o barco está quase a atracar no Cais do Sodré. É uma vista que nem toda a gente tem o prazer de ver tão regularmente.

Em que é que pensas quando primes o “gatilho” do lápis?
Pensar é coisa que não faço enquanto desenho. Fico imersa na observação e naquilo que estou desenhar. Se calhar até penso e depois esqueço-me entretanto. Normalmente fico apenas com a sensação que durante um certo período de tempo, estive 100% concentrada e isso traz-me uma satisfação que não encontro noutras coisas que gosto de fazer.

Onde podemos encontrar o teu trabalho?
Criei recentemente uma conta no Behance. Ainda tem pouca coisa mas pretendo colocar cada vez mais trabalho.

Se pudesses resumir Lisboa numa imagem, qual seria?
Costumam dizer que a única coisa bonita na Margem Sul é a paisagem. Apesar de não ser totalmente verdade, ver Lisboa é capaz de ser das coisas mais bonitas. A Lisboa que vejo daqui é o meu horizonte e nunca é demais olhar, seja num dia escuro e carregado de nuvens ou com a luz mais forte (aquela que até dói).

Conta-nos qual a melhor escapadinha lisboeta para não-turistas.
Provavelmente vou cair num cliché mas o meu sítio preferido em Lisboa são os jardins da Gulbenkian. São bonitos, sossegados, não faltam locais com sombra (e há patinhos bebés em filinha atrás das mães). Perfeito para ler, desenhar ou para conviver com os amigos.