Ana Guiomar

Com um sorriso tão inconfundível como ela, Ana Guiomar, soma mais de uma década de trabalho como actriz. Contamos com a companhia dela, muitas vezes, ao serão e agora até à hora de jantar com o seu recente projecto de culinária – Mãe já não tenho sopa. Divertida e bem-disposta, desta vez o convite é para sair de casa e vê-la no teatro. A propósito da peça Judite, em cena no Teatro D. Maria II, conversámos com a actriz e ficámos com a promessa de um regresso aos ecrãs para breve.

Passaram quase 12 anos dos Morangos, mas, se calhar, ainda ninguém se esqueceu  da Marta… Ainda acontece muito identificarem-te como a miúda doce dos morangos?
Claro que sim! Eu não me importo nada com isso, a série está a dar novamente num  dos canais da cabo. Acho muito engraçado ser reconhecida como Marta, por uma geração muito mais nova e que na altura em que gravámos a série ainda nem eram nascidos.

Desde aí, já te vimos em muitos papéis. Olhando para trás, que memórias ficam  destes papéis e destes anos?
As memórias são as melhores. Estou muito agradecida por todas as oportunidades que me têm dado e, acima de tudo, por ter conseguido fazer um trabalho contínuo e sem grandes paragens. Ter chegado ao teatro é, para mim, uma grande vitória a nível pessoal e profissional. Tem-me feito crescer muito.

Actriz de televisão, cinema, teatro e, quem está atento já percebeu, também publicidade… Faz sentido perguntar qual das linguagens te cativa mais?
Já me fizeram essa pergunta algumas vezes e a minha resposta é sempre a mesma. Seria muito injusto escolher só uma dessas áreas, são coisas completamente distintas mas que me cativam muito. O trabalho em televisão é rápido e frenético, gosto muito dessa pressão e das pessoas com quem trabalho. Em teatro é completamente diferente, o tempo é diferente e a palavra ganha outra importância. Faz-me reflectir muito sobre as coisas. Gostava de já ter feito mais coisas em cinema, mas acho que a seu tempo acontecerá. Não quero fazer cinema só para dizer que fiz, tem que ser um projecto que me desafie e que me faça sentir realizada, no fundo, que puxe por mim.

Estás neste momento em cena, com Judite. Para quem ainda não fez o trabalho de casa, conta-nos lá que peça é esta. Para quem não fez o trabalho de casa?!
Acho isso muito mal! (risos) Esta é a história de Judite, uma mulher que entra no acampamento de um poderoso exército para degolar o seu general, Holofernes, e assim poupar o seu povo da destruição que o ameaçava. No fundo, é uma estratégia de sedução armada por Judite para derrubar o inimigo.

Como tem sido assumir este papel que parece coisa séria…
Tento que todas as coisas que faço sejam sérias, mesmo as personagens mais bem-humoradas são sempre coisa séria para mim. Este trabalho é completamente diferente de tudo o que já fiz em teatro e foi isso que me levou a querer fazê-lo. É, a meu ver, um texto muito bonito, actual e que desperta consciências. Não é uma representação nada naturalista como eu estou habituada a fazer e, além disso, todos os dias temos em palco um diferente grupo de jovens. Este trabalho com adolescentes tem sido muito gratificante e todos os dias a peça é diferente.

No meio dos muitos projectos, já recebeste prémios como um Emmy com Dancin’Days e uma nomeação para Melhor Actriz em 2012. Como é que te sentes com este reconhecimento? O que falta conseguir depois disto?
Bom, o Emmy foi pela novela e isso deixou o grupo todo muito feliz, penso que para a SP Televisão também tenha sido muito importante. Estive, sim, nomeada para os prémios da SPA em 2012 pela peça “Purga” e agora em 2015 para os Globos de Ouro com a peça “Venus de Vision”. As nomeações para os prémios são importantes para o nosso ego, é uma satisfação quase momentânea. Passado um ano, acho que já ninguém se lembra quem ganhou ou quem estava nomeado. Ainda me falta fazer muita coisa, muita coisa mesmo! Arrisco-me quase a dizer que ainda me falta fazer tudo, como disse há pouco, explorar a área do cinema é uma das coisas que me falta fazer.

Há cerca de um ano, começaste um novo projecto: Mãe, já não tenho sopa! A culinária sempre foi uma paixão? Como surgiu este projecto?
Adoro cozinhar e ter a casa sempre cheia de amigos, a cozinha é uma das minhas grandes paixões. Este projecto surgiu de forma muito natural, em conjunto com a minha agência, a Glam, e a primeira vez que o fizemos foi sem qualquer compromisso ou pretensão de ser alguma coisa, foi mesmo por amor. Tem vindo a crescer imenso, o feedback é muito positivo e estou muito contente com os resultados e espero continuar, é quase um escape, um hobbie.

Que outros projectos tens na gaveta?
Para já vou continuar no teatro e com este projecto no Instagram. Vou também voltar a fazer novelas.

Para quem te segue nas redes sociais, há ainda uma Ana com uma veia mais cómica, mais bem-disposta. Será que ainda te vamos ver num registo mais assumido de comédia?
Eu sou muito bem-disposta, isso é verdade. Gosto que as minhas redes sociais sejam geridas de forma natural e sempre por mim, só assim é que faz sentido para mim. Um registo de comédia mais assumido… não sei, nunca sabe, mas acho que é bastante possível, claro.

O que é que Lisboa tem que não se consegue encontrar em mais lado nenhum?
A luz, o sol, a comida e as pessoas. Adoro este país e não me imagino a viver em mais lado nenhum.