António Pilar

António Pilar é um apaixonado pela ilustração, nascido em Lisboa que se costuma apresentar como dono de um futuro brilhante, mas só até à 4ª classe. Daí para a frente, teve um curto período (de Outubro a Dezembro de 1975) em que fez parte da gloriosa Junta Revolucionária que tomou o poder na revista de banda desenhada ‘VISÃO’ e pouco mais há a relatar, até ter terminou a sua actividade de escravo ao mais baixo nível, como director criativo numa agência de publicidade.

Actualmente, diz ele, continua empenhado em fazer o menos possível. Uma canseira!

Explica-me lá as tuas capas, mas não me faças um discurso!
Tinha, há já algum tempo, um projecto de ilustrações a que chamei IVA, acrónimo não do famigerado imposto, mas de Imagens de Valor Acrescentado. O conceito é simples: ilustração de paisagens urbanas, num estilo BD ‘linha clara’ realista, elaborada (ou não) a partir de fotos e à qual é acrescentado um ou mais elementos heteróclitos.
O desafio da Le Cool foi um excelente pretexto para meter mãos à obra.

De onde vens, quem és e para onde vais?
Tudo coisas que eu gostaria de saber.

O que te agrada mais desenhar?
Não tenho nenhum tema predilecto, mas dá-me prazer trabalhar ilustrações com alguma minúcia que requeiram paciência.

O que é que em Lisboa mais te inspira para uma caricatura?
A Assembléia da República.

Onde podemos encontrar mais do teu trabalho?
Há umas coisinhas num blog chamado VD Cartoons. É lá que se encontram as tiras com as atribulações do rafeiro que dá pelo nome de Van Dog. De momento a série semanal está interrompida para férias sabáticas, mas como foram publicadas mais de trezentas, há muito para ver…
Também há uma curta metragem de animação (curtíssima, aliás), chamada ‘Franco assassino’ que pode ser vista no YouTube. Data de 75 e foi feita em poucos dias, no Instituto Português de Cinema, para integrar os festejos comemorativos da morte do ditador (que ainda não tinha morrido na altura).
Há mais coisas, claro, mas a maioria delas no meu computador.

Se pudesses resumir Lisboa numa imagem, qual é que seria?
Qualquer pedaço de casario dos bairros históricos no deslumbramento daquela luz fabulosa que tantas vezes Lisboa consegue ao entardecer.

Sugere-me um destino paradisíaco dentro de Lisboa. Um de que ninguém mais saberá, mas que deixa de ser segredo a partir do momento em que o partilhes.
Os Jardins do Beau Séjour, com o seu belo palácio, mandado construir pela Viscondessa da Regaleira em 1849. É mesmo à beira da Estrada de Benfica, mas logo que entramos no delicioso jardim, saímos da cidade. Havia lá um bar com esplanada (fechado há 2 ou 3 anos), mas a esplanada continua lá. É verdade, basta atravessar a rua e trazer uma bejeca do café em frente (e há um vidrão logo à esquina). Em alternativa uma garrafita térmica também é solução. Muito pouca gente frequenta este jardim, seguramente razão pela qual o bar fechou. Feliz ou infelizmente, a escolha é sua. Há um grupo de priveligiados que lá trabalha todos os dias útéis, os funcionários do Gabinete de Estudos Olissiponenses.