Claudio Cuppellini

Claudio Cuppelini está em Lisboa a propósito da Festa do Cinema Italiano, para apresentar o seu último filme “Alaska (The Beginners)”. A sessão é hoje, às 19h, no cinema São Jorge, mas antes aproveitámos para uma conversa com o realizador.

Ciao Claudio. Antes de mais, bem-vindo a Lisboa. É a primeira vez?
Não, é a segunda. Visitei Lisboa há um ano atrás, com a minha namorada e estávamos à espera do nosso primeiro filho. Tenho recordações muito bonitas. Uma delas está relacionada com uma noite que passámos num restaurante com a Celeste Rodrigues, em que falava da sua vida, da sua irmã Amália Rodrigues e das suas carreiras. Ouvi-la a cantar o fado foi lindíssimo.

Falemos do teu filme Alaska, que vamos poder assistir na Festa do Cinema Italiano. Estreou em 2015. Como tem sido o percurso?
O filme foi bem aceite tanto pela crítica, como pelo público. É um filme turbilhão, intenso, para alguns mais inacessível. Uma montanha russa sentimental. Fico muito satisfeito que tenha apaixonado as pessoas. O tipo melodramático é um tipo de filme arriscado e não muito habitual em Itália.

Fausto e Nadine: a história de amor entre estas duas personagens refletem, de alguma forma, uma determinada geração e a forma como vivemos o amor e as relações nos dias de hoje?
Certamente. Como muitos jovens de hoje, também Fausto e Nadine procuram o seu lugar no mundo. Mundo esse que é cada vez mais difícil e hostil, sobretudo para os que não tem nada e para os jovens.

O que gostaria que os espectadores portugueses “levassem” para casa depois de ver o seu filme?
Espero que na história do Fausto e da Nadine o próprio público identifique e encontre uma parte da sua vida, das suas memórias. Que se reveja nos seus altos e baixos, no seu cansaço de viver, que também faz parte da nossa vivência.

Já agora, como vê o estado do cinema italiano atualmente?
O cinema italiano está de “boa saúde”, é assim que o vejo. A par dos realizadores já mais afirmados na indústria, todos os anos vemos nascer novos talentos que chamam à atenção e se fazem valer tanto em Itália, como no estrangeiro.

Alaska é o seu terceiro filme. Quais são os seus próximos projetos?
Continuo a trabalhar na série Gomorra e já estou a ser “seduzido” pelos meus companheiros de escrita para a criação de um novo filme. Mas sobre isso, ainda é cedo para falar!