De 28 de Abril a 4 de Maio

Capa de Nicolae Negura.
Lê a entrevista

Estão normalmente pelo Rossio. Montam a sua banca, dispõem os instrumentos, espalham os modelos e sentam-se à espera. Guardam o tempo em que os cartões eram de papel, colavam-se vinhetas por cima de vinhetas com as quotas em dia, gastavam-se os cantos. Os plastificadores, que parece que já são só dois, andaram certamente muito de eléctrico, quando as suas linhas não incomodavam. Será que andam ainda?

Teriam pois que se cruzar com os senhores que trabalham de pé, de fato composto, de chapéu azul, de mão no freio. Sorriem para as colinas, cumprimentam os passageiros, agradecem a cedência de passagem. Guardam, os guarda-freios, uma Lisboa de transição, uma Lisboa que quer crescer na tradição. Chegados aos Prazeres, rodam os destinos com a ajuda do comprido espelho reflector até chegarem ao Martim Moniz.

Martim Moniz – sítio mesclado, esse. Praça aberta cheia de quiosques, quiosques de tudo de comida. Falta-lhe o quiosque mais noticioso de todos eles, o quiosque de jornais. Verdes e de toldos, são primeira paragem do dia para quem vive no bairro, guardados pelo jornaleiro que até no verão está de luvas para não sujar as mãos. Os jornaleiros guardam a Lisboa das notícias do dia.

Esta é a nossa homenagem para todos os que trabalham Lisboa, para todos os que guardam a sua memória e a enchem de memória novas.

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