De 31 de Março a 6 de Abril

Capa de António Pilar.
Lê a entrevista

Lisboa está à venda! Pode ser erro de percepção, amostra enviesada, excesso de percepção, mas parece que não há dia, passeio pela rua, conversa de café que não inclua a notícia de que este ou aquele sítio vai fechar. E porquê? Hotel.

Na Lisboa do século XXI, ano de 2016, tudo o que faz falta são camas para dormir. E vamos tê-las, nem que seja à custa de perder aquelas lojas, espaços, esquinas que fazem parte da cidade que nos habituamos a admirar. Não é cena de Velho do Restelo, porque adoramos sítios novos. Não é saudosismo de quem não frequenta, nem garante o sustento desses lugares e tem a lata de se queixar, é a realidade. Porque não tarda será um dos vossos sítios favoritos que desaparece. Porque atrás de tantas camas, chegam as cadeias internacionais de comida e prêt-à-porter e todos querem a melhor localização. Ainda é cedo – gritam por aí – para corrermos o risco de já não ter cidade para mostrar, será? Conseguiremos travar a tempo?

Venham daí esse mar de malas a fazer barulho na calçada, essa mole de câmaras fotográficas, prontas a registar a beleza desta nossa cidade. São bem-vindas, ajudam a economia do país e a economia local, desejo eu. O problema, se querem saber, somos nós. Exageramos tanto, tantas vezes…
Que cidade queremos nós?

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