Filipe Bonito

Arquitecto de formação e fotógrafo por paixão, Filipe Bonito é um ribatejano que aplica técnicas diferentes, onde a dupla exposição das suas fotografias analógicas faz o mundo e cidade parecer um local encantado.

Explica-me lá a tua capa, mas não me faças um discurso!
A fotografia da capa é um ensaio para um projecto que estou a desenvolver chamado “a cidade não é uma árvore” onde fotografo “coisa” que fazem Lisboa ser o que é. As múltiplas exposições são um tema que me interessa baste, existe um grande grau de aleatoriedade da imagem final que torna o resultado em algo mágico, este resultado é mais do que o mero somatório das partes.

De onde vens, quem és e para onde vais (mesmo que não bebas Nicola)?
Sou arquitecto e a fotografia sempre esteve presente na minha vida, nasci numa família de fotógrafos e desde cedo que me habituei a “brincar” com câmaras, rolos, químicas, flashes, etc. Esse gosto nunca desapareceu, continuo fiel à fotografia analógica e acho que é uma coisa que não vai passar.

O que é que em Lisboa mais te inspira para o teu trabalho?
O que acho mais interessante e inspirador em Lisboa é a sua heterogeneidade, não é uma cidade monocórdica, não há apenas um “tema”, há vários cruzamentos, vários cenários, várias estórias…

Onde é que podemos encontrar mais exemplos do teu trabalho?
Neste repositório de fotografias analógicas que vou tirando avulso, não tem ordem nem cronologia, nas imagens que vou apanhando com o telemóvel e na página de um projecto do qual sou curador, é uma colecção de fotografias de negativos perdidos e de rolos por revelar que encontro

Se pudesses resumir Lisboa numa frase, qual é que seria?
Diria que Lisboa é um conjunto de pequenas aldeias, é grande o suficiente para ter várias faces e pequena o suficiente para se descobrir a pé, de uma ponta a outra

Revela-me um percurso, um bairro ou uma história engraçada sobre a cidade.
O melhor percurso de Lisboa é andar sem destino com olhos de olhar. a topografia da cidade com as suas sete colinas, os seus vales e a forma como desce (sempre) para o Tejo cria uma morfologia muito particular, há recantos, pontos de vista, miradouros, locais que se descobre por acaso, é fascinante descobrirmos pormenores e curiosidades por todo o lado.

Sugere-me um destino paradisíaco dentro de Lisboa. Um de que ninguém mais saberá, mas que deixa de ser segredo a partir do momento em que o partilhes.
Não gostaria de sugerir um destino mas sim uma data, Junho, o tempo está ameno, os dias grandes e todas as aldeias se vestem a rigor, Lisboa transforma-se na boémia que merece ser e conseguimos perceber que todas as camadas, todas as suas partes e todas as dimensões são importantes, as avenidas, o pequeno beco, etc. Lisboa é mais do que o mero somatório das partes.