Joana Batista

Ilustradora, desenhadora em geral e, de quando em vez, colorista de paredes, Joana Batista é uma menina de Lisboa que ganhou asas e já andou por Londres, por exemplo. Nascida na Ajuda, observa muitas vezes a cidade a partir da Graça, à procura dos contrastes e das vidas que desaguam em Lisboa. Entre a luz e a sombra, está sempre aberta a novos projectos, desafiem-lhe o espírito freelancer. Conheçam a autora da capa desta semana.

Explica-me lá a tua capa, mas não me faças um discurso!
É sobre andar a passear. Caminhar, sem pressa e ao acaso, é das coisas que mais gosto de fazer em Lisboa. Esta imagem é sobre voltar a casa, caminhar com amigos e com um sentido de orientação algo questionável.

De onde vens, quem és e para onde vais (mesmo que não bebam Nicola)?
Nasci e vivi na Ajuda, depois fui para a Margem Sul. Venho de Pintura, Artes Plásticas, e trabalho em Ilustração, banda desenhada, murais e outras colaborações. O que liga estas áreas e é factor central no trabalho que faço é o desenho.

O que te agrada mais ilustrar?
Gosto muito de desenhar coisas que nos transportam para um momento ou uma memória específica, mesmo que seja uma memória inventada. Lugares com altos contrastes de luz, como tantos em Lisboa, ou personagens num livro que me fazem lembrar de um passageiro distraído no comboio ontem de manhã ou do meu avô no Natal há sete anos atrás.

O que é que em Lisboa mais te inspira para uma ilustração?
A luz do sol, as sombras compridas e as conversas dos vizinhos.

Onde podemos encontrar mais do teu trabalho?
Aqui, little oak illustration e nos murais feitos em colaboração com o João Caridade, em 2014 trabalhamos no festival Bons Sons e andamos sempre a procura oportunidades para pintar paredes!

Se pudesses resumir Lisboa numa imagem, qual é que seria?
Os telhados das casas vistos de uma janela alta na Graça.

Revela-me um percurso, um bairro ou uma história engraçada sobre a cidade.
Atravessar a Praça Martim Moniz com as costas voltadas para o Hotel Mundial por volta do meio dia, quando a luz do sol te bate directamente nos olhos e tudo o que consegues ver são vultos carregados com sacos de plástico gigantes e cheios. E sentir-me muito bem e escudada, e saber exactamente onde ir para beber um café de 60 cêntimos.