Leonor Teles

Leonor Teles é a realizadora mais nova de sempre a conseguir um Urso de Ouro em Berlim. Agora, prestes a estrear o filme em terras lusas – no Indie Lisboa - estivemos à conversa com ela para perceber o que está a preparar. Mas o segredo parece estar bem guardado! Um filme sobre Lisboa fica na mira do futuro.

A primeira pergunta não deixa de ser óbvia, mas tenho de a fazer. Como é receber um prémio como um Urso de Ouro, em Berlim? ​
É incrível! Muito bom mesmo! Mas muito inesperado também.

Sendo tu a pessoa mais nova de sempre a receber este prémio, que recordes queres superar a seguir?
Não tenciono bater recordes, até porque bati este sem querer.

Passaste pela Força Aérea aos 18 anos e aos 23 já estavas a ganhar prémios, com curtas-metragens. Como foi este salto?
Acho que foi um salto natural, passar da ideia de vir a ser piloto para trabalhar em cinema e consequentemente realizar curtas aos 23 anos. As pessoas crescem, os gostos e interesses mudam, e na altura pareceu-me lógico ir estudar fotografia e cinema. Hoje, então, faz todo o sentido. Os prémios não dependem de mim, isso é um salto pelo qual eu sou não responsável.

Balada de um Batráquio vai estrear agora no Indie Lisboa. Como esperas que seja a aceitação por parte do público português? Será que as pessoas que são retratadas no filme se vão rever?
Do público português tudo é possível! Espero que o recebam bem, que gostem e que sobretudo se divirtam durante os 11 minutos. Acho que todos nós nos podemos rever no filme, seja de uma forma ou de outra, quer estejamos contra ou favor. Portanto, a identificação é sempre um factor positivo, porque normalmente conduz a uma emoção. Isso é bom (mesmo que seja uma emoção “negativa”) pois significa que o filme teve um efeito no espectador.

Voltemos atrás. Em 2013 ganhaste uma menção honrosa no Indie Lisboa, graças a Roma Acans, com a mesma temática. Vais-nos dar a conhecer mais filmes que sejam um “abre-olhos”?
Não sei. Não creio que esteja a pensar nisso quando faço filmes. Mas a verdade é que isso também não depende só de mim, depende muito de quem vê. Espero que os meus próximos filmes levem as pessoas ao cinema e que, durante o período em que estão ali, o filme as faças sentir ou pensar em qualquer coisa. Se as pessoas sentirem que o tempo foi bem gasto e que se divertiram, já valeu a pena. Se puderem levar essa emoção ou reflexão para casa, óptimo. Melhor ainda! Mas isso é com elas.

A primeira impressão que temos de ti é que és uma pessoa revolucionária contra paradigmas estabelecidos. Nós consideramos-te como uma “lufada de ar fresco” no cinema português, mas tu, como te consideras? Achas que és uma revolucionária? Que imagem queres passar?
Uma “lufada de ar fresco” no cinema português? Fixe! Obrigada! Revolucionária? Hmm… não sei… Acho que sou mais chata e persistente, e essas duas coisas juntas impedem-me de desistir do que quer que seja. Então quando meto uma coisa na cabeça luto até ao fim. Portanto, se calhar, sou mais obstinada que revolucionária. E, não sei como, volta e meia trabalho em filmes que acabam sempre por ser cinema-guerrilha.

Tens outro projecto ligado à tua cidade, Vila Franca de Xira. Já podemos saber sobre o que vai ser?
Ainda não!

E sobre Lisboa, vamos poder contar com um filme teu?
Não faço ideia! Talvez daqui a uns anos… Mas parte de A Balada de um Batráquio foi filmada em Lisboa.