Nuno Sarmento

Desde pequeno que se interessa pelo desenho, que estraga cadernos e que se apaixono pelas linhas. Não vê o desenho como uma actividade ou escape mas antes como uma transformação, uma passagem para um outro mundo onde se pode estar por breves momentos, explorar e depois se regressa.

É do Norte e além  de ter frequentado a Escola Artística Soares dos Reis e estudado Arquitetura na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, já pintou montras de restaurantes no Porto, Gaia e Paredes. Teve uma exposição na Roménia e outra colectiva no Porto. Mas aceitou trocar o Norte pelo Sul nas capas da Le Cool!

Conta-me: 1) O que se passa na tua cabeça hoje e 2) E o que se passa lá fora na tua janela?
Bem, como sempre, na minha cabeça passam-se milhares de coisas e passam-se todas ao mesmo tempo! Ideias do que poderia vir a ser, do que se passou e do que faço, e tudo vai seguindo. É difícil filtrar bem o que importa, mas vai-se dando um jeito. Lá fora está tudo calmo, a mesma casa vermelha da vizinha e um céu claro, mas com vida. Corre a brisa, que é bom.

Qual é a história destas Capas?
Estas capas são um contraste, uma oposição entre o traço e a cor. Tentei criar duas realidades totalmente diferentes, onde numa é a cor, a mancha, a aguarela que cria o mundo onde tudo vai nascer, e na outra é o traço, a linha que limita o espaço onde vai cair a cor. Por isso acaba por nascer uma realidade precisa e objetiva quando o traço se impõe, e uma realidade borbulhante, cheia de vida e sem limites, quando a mancha prepara a cena. Parecem quase feitas por duas pessoas diferentes, e quem sabe se até não serão mais!
Lisboa está presente nas duas, mas de uma forma mais subtil, que eu convido a procurar, tanto nas formas como nas cores.

Em que é que pensas quando primes o “gatilho” do lápis?
A maneira como eu desenho corre na base das histórias e da imaginação. Trata-se de um contínuo fluxo de pensamentos que eu deixo que venham e que tento transpor o melhor possível para o papel. É uma tentativa de liberdade de expressão, onde o mais difícil é dizer com exactidão o que quero. Como já referi, são tantas as coisas que voam cá dentro que quase se torna fácil pô-las lá fora. Desenhar é para mim, realmente, comunicar, e é fazê-lo de uma maneira tão especial que não reconheço que haja outra igual. Talvez das mais verdadeiras, porque não há nada entre mim e o papel. Sou eu, só eu.

Onde podemos encontrar o teu trabalho?
O meu trabalho está sobretudo na minha página, no facebook e no meu blog, que estou a atualizar. Além disso, podemos também encontra-lo neste momento, exposto na Galeria Red Nankim, no Porto, onde participo numa exposição de ilustração coletiva. Mas mais regularmente, e como é resultado da nossa geração, é na Internet onde vou colocando o trabalho mais recente.

Se pudesses resumir Lisboa numa imagem, qual seria?
Lisboa, numa imagem, é um lugar espaçoso, amplo, com vida, onde se vê uma enorme mancha azul disforme e se ouvem línguas de todo o mundo. Grandes blocos de pedra, lisos, enquadram a imagem. São as casas almadinas que não podiam passar despercebidas. De uma forma mais resumida, movimento, vida e espaço.

Conta-nos qual a melhor escapadinha lisboeta para não-turistas.
Para mim, algo a fazer na capital, é ir para a parte velha sem mapa e com um caderno de esquiços. Perder-me naquelas ruas com tanta história terá sido das minhas melhores experiências lá. Há tantos recantos que valem a pena.
Casas com rugas, ruas antigas, pedras que contam histórias… O mundo moderno pode ter muito apelo, mas não tem nada disso. Aconselho.