Talbot

Fotografia ©Chtcheglov

Os Talbot são Paulo Romão Brás e Miguel Ferreira, uma dupla que, se à partida te parece desconhecida, assim que colocares o seu novo álbum no play, não sairá mais da tua playlist. A sonoridade, a cumplicidade, o detalhe, não te passarão indiferentes. Fica a conhecê-los melhor:

Quem são os Talbot e como é que chegam à música?
Talbot é um projecto de dois amigos, Miguel Ferreira e Paulo Romão Brás, que adoram explorar, partilhar e estar rodeados de música e que resolveram passar essa paixão à prática. Talbot é a última encarnação dessa parceria que teve como embrião os Low Pressure System, e que transformou um som experimental e abstrato num registo mais pop.

Denota-se que este álbum é um trabalho meticulosamente pensado, cuidado e que teve tempo para crescer. Como foi ter o privilégio de criar tudo isto sem pressões?
Foi fantástico. As músicas foram surgindo e sendo trabalhadas num ambiente de grande descontração o que tornou todo o processo, para além de enriquecedor e frutuoso, bastante divertido. Quando não tens pressões nem prazos, os pormenores podem ser vistos e pensados de outra maneira. Não foram poucas as vezes que alterámos, reajustamos e abandonamos coisas que pensávamos finalizadas.

Qual a razão do nome Talbot?
No dia em que nos conhecemos, ambos tínhamos debaixo do braço o mesmo livro do fotógrafo William Henry Fox Talbot (Geoffrey Batchen, ed. Phaidon). Esta estranha casualidade fez com que nos aproximássemos, descobríssemos muitos gostos em comum e nos tornássemos grandes amigos. Quando andávamos à procura de um nome para o nosso projecto ocorreu-nos de imediato este episódio.

A capa transporta-nos de imediato para os 900 Kms de costa portuguesa e a ligação à nossa história que daí advém. Porquê essa escolha?
Quase sempre relacionámos os temas do álbum a viagens com paragens obrigatórias em vários sítios da nossa cultura e do nosso imaginário. Fragmentos esparsos de quem somos e por onde andámos. Não quisemos ficar colados a um só género ou influência, mas deixar, antes que tudo, o que nos moldou enquanto ouvintes apaixonados transparecesse naturalmente no nosso trabalho.

O “electrónico” sobressai em todo o vosso trabalho, mas percebemos outras influências no vosso som. Quem são as vossas inspirações musicais?
É na electrónica que nos sentimos mais à vontade para criar e através dela, transmitirmos o que nos vai na alma. Como gostamos de misturar sons mais orgânicos, samples, gravações, acabamos sempre por recorrer a instrumentos e formas diferentes de recolha desses mesmos materiais. Inicialmente tínhamos pensado fazer um trabalho totalmente electro-pop em português. À medida que avançávamos, observámos que as músicas se estavam a tornar autónomas e por vezes, a seguirem um caminho diferente do pretendido. A opção foi deixarmo-nos levar…
Quanto à inspiração, não houve restrições e fomos beber a todas as nossas influências artísticas.

Outro aspeto que salta à vista é todo o trabalho interdisciplinar e os diferentes artistas que colaboraram convosco. Falem-nos um pouco de como foi essa experiência.
Todos os artistas que participaram são nossos amigos, pessoas que admiramos e que gostaríamos de ter por perto nesta nossa primeira aventura. Estes momentos de partilha são importantes com quem compreende a tua linguagem e com quem tu tens empatia. Na concepção do álbum contámos com as letras dos escritores João Eduardo Ferreira (Pele rasurada, Tyto Alba, Viagem e Pão) e Manuel Halpern (Apática), as vozes da Cláudia Efe (Apática), Lydie Barbara (Paysage) e Ana de Barros (Viagem), a guitarra de Nuno Lima (Voo Circular) e a guitarra portuguesa de M-PeX (Tyto Alba). A masterização ficou a cargo do Armando Teixeira.
Numa fase posterior, continuámos com o artwork da Cristiana Couceiro/Ophelia Estúdio, as fotografias de promoção do Chtcheglov e a realização do videoclip, do tema Voo Circular, do João Seiça.

Esta é uma viagem, sem bússola e sem mapa, que nos transporta às nossas memórias e a desejos futuros e a tantos pontos diferentes do planeta. Mas que regressa a Lisboa? É esse o sentido circular?
Lisboa é o centro e onde regressamos sempre. O agregador de todas as influências e onde tudo foi planeado lentamente. Se Gáfete ::Reinaldes, o tema que fecha o nosso CD, homenageia as nossas zonas e terras de origem, Lisboa, com as suas inúmeras facetas, está presente em todo o álbum.

E Lisboa é…
Música, inspiração, luz…