musical
O fim do arco-íris
O vício, a incerteza, álcool e barbitúricos, causa certa para adrenalina e repressão liberta num corpo frágil com voz maior. Se não foi esse cafageste, o número cinco, foram todos antes a potenciar esse caminho rumo ao declínio do estrelato. Mas como fugir do inevitável se quando, ao quinze anos de idade, os primeiros estimulantes, seconal entre outros, serviam para uma performance de vinte horas diárias. Era um vai vem de pastilhas, ora acordavam, ora embalavam um justo sono. Ora perdiam peso, ora abrilhantavam uma voz torpecida pelo bagaço melancólico de uma vida feita dessa partilha solitária. Judy vivia essa incerteza num amor carnal com Mickey. Ele pouco mais via nela que um meio para atingir um fim. Se não era a fama, seria o dinheiro, ou o simples luxo de se fazer acompanhar por aquela que fez jus ao seu estatuto. A diva morreu, mas deixa para trás as memórias de quem brilhou no apogeu de uma era. Palavra de Anthony Chapman. / Francisco Pinheiro



