Passeio Marítimo de Oeiras

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Onde?
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Grátis



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Ao contrário da maioria dos percursos, o Passeio Marítimo de Oeiras não é um caminho do ponto A para o ponto B. Este é claramente um caso em que o destino é a própria viagem. E isso nota-se na quantidade de pessoas que como eu, o atravessa ilegalmente de bicicleta quando vai para o trabalho, tanto pelo prazer do passeio em si como pelo de transgredir a lei que, no fundo, é também uma forma de passear mas isso são outros quinhentos. Também esse devaneio quase-libertário se faz sentir no número de skates, patins, cães, crianças, surfistas e desportistas em geral que praticamente lá vivem como se a California dos anos 80 tivesse sido transplantada para a Oeiras do Séc. XXI.

Na verdade, apesar de todas as miúdas semi-descascadas, praias, banhos de sol e de mar ou personagens caricatas que o habitam, o melhor neste paredão é a sua inutilidade gratuita. Não serve para nada na medida em que não é um local de consumo, não é uma via rápida, não é uma zona de residência e, tal como a proverbial árvore de bambu da lenda chinesa, a sua beleza e sobrevivência reside precisamente na sua incapacidade gritante em ser útil num mundo em que todos os espaços públicos nascem já destinados a cumprir, de uma forma ou de outra, uma função neo-liberal. Portanto, não só é belo, como sedutora e deslumbrantemente revolucionário, duma forma pré-sociedade de informação.

Aproveita por isso um dos poucos locais onde podes, gratuita e livremente, praticar essa filosofia em vias de extinção que é o dolce far niente em todas as suas formas e feitios, enquanto não se lembram de a engarrafar para vender em pequenas doses homeopáticas.